A saga do Monstro do Pântano por Alan Moore – Livro 1

colunista_RobertoFreitas

No primeiro número escrito por Alan Moore, Loose Ends, ele faz exatamente isto, amarra as pontas soltas dos números anteriores. Para isto – e de modo chocante – literalmente mata o personagem anterior e dá início a sua remodelagem já na história seguinte, “The Anatomy Lesson”, com um começo que já dá ideia do clima aterrador, do talento narrativo de Moore e de composição de Bissette.

capa

Saga of the Swamp Thing, Book 1
Roteiro: Alan Moore
Arte: Stephen Bissete e John Totleben
Páginas: 208
Publicação: Vertigo 2012
Publicação Original: Jan/Ago de 1984,  #20 a #27
Gênero: Terror

Woodrue se revela como um antigo vilão da DC – o Homem Florônico – Moore é uma enciclopédia viva e conhece todos os personagens das eras de ouro e prata e adora resgatá-los em suas histórias para as grandes editoras.

Ele se revela um terrorista ecológico (antes que a questão ecológica ganhasse destaque), querendo se vingar dos maus tratos do homem sobre os vegetais e ameaçando destruir toda a vida animal do planeta, usando sua conexão com a criatura para controlar todo o verde do planeta. Estamos em “Swamped” e o Monstro do Pântano está em estado catatônico pelo choque de saber não ser Alec Holland e ter perdido sua humanidade.

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DESCONSTRUÇÃO: Sim, Moore é o responsável por iniciar a praga. Mas o faz aqui com uma elegância e ironia que seus imitadores nunca tiveram. E – com certa dose de crueldade – expõe a incongruência da concepção anterior da criatura como sendo Alec Holland transformado (e Wein era o editor!).

A Viagem mental da criatura enquanto seu corpo jaz inerte no pântano mostra todo o talento de Bissete e Totleben e Moore começa a desenvolver a personalidade de Abby Arcane, que será um personagem chave na série.

Na história seguinte, Another Green World, a ação de Woodrue se torna mais violenta e, num clima de terror ascendente, uma vila inteira e seus habitantes é destruída. O Monstro do Pântano finalmente desperta e tomo consciência dos planos do Homem Florônico.

Na parte final deste arco, temos também a presença da Liga da Justiça, mas Moore brilhantemente a faz ficar apenas como observadores impotentes em sua estação orbital (deuses no céu?) – talvez pela primeira vez em uma história – enquanto acompanham a destruição causada por Woodrue. Em poucas linhas, Moore dá mais profundidade a seus membros do que se via nas revistas da Liga.

No número 25, temos um acontecimento fundamental para a liberdade criativa que Moore teve na revista: Karen Berger assume a função de editora. E Moore cria um arco do mais puro terror em três partes: The Sleep of Reason, A Time of Running e By Demons Driven. E introduz uma criatura que representa o próprio medo espalhando morte e destruição no centro para crianças autistas onde Abby passa a trabalhar.

E temos a participação mais que especial do demônio Etrigan, a criação de Jack Kirby que Moore homenageia explicitamente.

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Roberto Freitas Soares
Viciado em HQ desde a infância, ainda fugindo do Rehab.

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