08-01-2017

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A saga do Monstro do Pântano por Alan Moore – Livro 6

colunista_RobertoFreitas

A despedida de Moore do título é também a mais controversa entre os fãs. Muitos acham decepcionante este último arco em relação aos anteriores. Realmente este é um pouco irregular, primeiro por Moore já estar brigado com a DC, e sabendo que ia sair, e segundo pelo seu interesse nos outros projetos que vinha desenvolvendo. Tanto que ele não escreve todas as histórias.

Saga of the Swamp Thing, Book 6
Roteiro: Alan Moore e Stephen Bissete (#59), Rick Veitch (#62)
Arte: Stephen Bissete, Rick Veitch e John Totleben
Páginas: 208
Publicação: Vertigo 2014
Publicação Original: fevereiro a setembro de 1987 #57 a #64
Gênero:
Ficção Científica

Mas seu brilho ainda pode ser visto em alguns episódios. Temos aqui uma recriação da Odisseia de Homero, com o Monstro enfrentando os desafios da tortuosa volta para casa e para seu amor.

Mysteries in Space mostra, mais uma vez, o gosto de Moore pelos antigos personagens da DC – e atualizando o contexto em que foram trabalhados anteriormente – trazendo de volta Adam Strange em um conto sobre desejo e luxúria, pondo pimenta na relação de Strange com Alanna. Na sequência, “Exiles”, introduz dois targarianos, onde também explora o erotismo na roupa da fêmea da espécie (a Mulher Gavião nunca usou uma veste assim). No final ainda resolve o problema da fome em Rann.

Em “Reunion”, Stephen Bissette assume a caneta e não se sai muito bem. É a historia mais fraca do volume e da série inteira. Trata do encontro e da redenção do pai de Abby, transformado em um monstro por Arcane.

“Loving The Alien” eleva o encadernado às alturas para o mais revolucionário experimento de Moore e Totleben. Em cima de pinturas quase abstratas de Totleben, Moore constrói uma historia sobre um planeta/asteroide mecânico sentiente, a procura de um par para se procriar, e que captura o Monstro por achar ser ele seu par ideal. São apenas painéis de página inteira que Moore preenche com a história mais perturbadora e genial que ele já concebeu. Uma verdadeira obra de arte.

“All fresh is Grass” coloca o monstro em uma planeta habitado por vegetais Inteligentes que, quando usados pelo Monstro para dar corpo a sua essência, o enlouquecem. O Lanterna Verde daquele planeta é que vai salvar a criatura da destruição. Moore aproveita apara fazer um interessante estudo sobre personalidades nas mentes dos habitantes usados pelo monstro.

verdao66verdao666“Wavelenght” marca a estreia de Rick Veitch no roteiro e ele se sai melhor do que Bisete. Até porque aqui presta homenagem ao grande Jack Kirby, trazendo Metron dos New Gods e o próprio Darkseid.

“Loose Ends” se parece com os velhos filmes da Hamer – estrelados por Vincent Price – como As Sete Mascaras da Morte e Dr Phibes. O Monstro do Pântano chega à Terra e busca vingança contra todos os que tramaram sua “morte”.

Finalmente “Return of The Good Gumbo” finaliza o longo período de Moore no titulo. Acho que a decepção de muitos com este final é que ele é feliz, com a criatura criando seu lar definitivo no pântano para ele e Abby, matando a saudade sexual da amada (os leitores já estavam acostumados a climas sombrios?). Um personagem que é a personificação do próprio Moore dá o tom otimista do final.

Tristeza só pelo fim do arco e pelo que fizeram depois com o titulo, que devia ter terminado por aqui.

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<<< A saga do Monstro do Pântano por Alan Moore – Livro 1 <<<
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<<< A saga do Monstro do Pântano por Alan Moore – Livro 3 <<<
<<< A saga do Monstro do Pântano por Alan Moore – Livro 4 <<<
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Roberto Freitas Soares
Viciado em HQ desde a infância, ainda fugindo do Rehab.

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