A saga do Monstro do Pântano por Alan Moore – Livro 3

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Após testar os limites temáticos e de formato de uma historia em quadrinhos nos contos do volume 2, neste volume 3 Alan Moore colhe os frutos plantados e inicia o arco “Gótico Americano”, explorando as contradições do “american way of life”.

Saga of the Swamp Thing, Book 3
Roteiro: Alan Moore
Arte: Stephen Bissete, Stan Woch, Rick Veitch e John Totleben
Páginas: 208
Publicação: Vertigo 2013
Publicação Original: abril a novembro de 1985 #35 a #42
Gênero:
Terror

Na primeira história, “The Nukeface Papers” a partir de um desenho antigo de Bissette de um homem radioativo – NukeFace – Moore elabora um conto de terror emoldurado por notícias de jornais ao vento sobre desastres em usinas nucleares. O Monstro do Pântano tem papel coadjuvante (mas aterrador) e começa a entender a extensão de seus poderes. Na segunda parte da história “Grown Patterns”, temos a primeira aparição de uma das melhores criações de Moore, o mago John Constantine, desenhado como uma cópia do astro Sting.

verdao343Nas histórias seguintes será Constantine quem irá guiar o Monstro do Pântano na descoberta de seus poderes, mas com seu jeito sacana de ser. Poderes estes que irão permitir à criatura recriar seu corpo em qualquer lugar e prover o escopo maior pretendido por Moore para a série.A seguir Moore recria os três clássicos arquétipos dos filmes de terror: vampiros, lobisomens e zumbis. Mas a tradição é virada do avesso – ou usada como comentário irônico.

Em “Still Waters” e “Fish Story”, Moore recupera uma história antiga do Monstro (outra habilidade de Moore, que sempre as leva para patamar muito superior), temos vampiros que teriam sido erradicados pela criatura inundando uma cidade com uma represa próxima. Mas os vampiros – com visual punk – aprenderam a morar submersos e tem um agudo “instinto familiar”.

roverto4O mito do lobisomem é usado em “The Curse” em um contexto feminista, que discute o papel subalterno da mulher na sociedade americana – e ainda trata de menstruação!

E, finalmente, os zumbis são usados para ressaltar a questão racial e a hipocrisia de sua superação no início dos anos 80, nas duas últimas histórias: “Southern Change” e “Strange Fruit” (como a canção de Lady Day). Passado e presente se misturam em uma filmagem na Louisiana sobre o período escravocrata.

Interessante também a introdução de Stephen Bissette neste volume, que acentua o caráter colaborativo do trabalho desenvolvido na série entre ele, Moore e Totleben.

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Roberto Freitas Soares
Viciado em HQ desde a infância, ainda fugindo do Rehab.

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