16-05-2016

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Peças que o destino nos prega

A vida nos apresenta muitas surpresas. Umas boas. Outras, nem tanto.

Há algum tempo, postei um pequeno texto sobre o porquê de eu colecionar quadrinhos. Na ocasião, citei o fato de minha memória voltar no tempo e rever determinada situação, marcada por alguma leitura feita à sombra de uma árvore qualquer. Associar fatos a objetos, músicas, aromas é nato da maioria dos seres humanos.

Na maioria das vezes, todas essas lembranças são boas, gostosas. Mas o destino não é linear.

No mês de abril de 2016, participei de um leilão e arrematei uma revista, a qual estava à procura há bastante tempo. Essa peça era algo que me lembrava da infância e adolescência, em que fantasiava um mundo todo em preto e branco. Bem ou mal. Não havia preocupações com o cotidiano, a não ser sobrar um pouquinho de dinheiro da mesada para comprar uma revista, jogar futebol na chuva ou pescar em algum açude lamacento. Era um desejo antigo e eu o havia consumado.

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Passei a semana ansioso por chegar em minha casa e ver o pacote dos correios com o objeto de minhas lembranças sobre o sofá. E ele chegou.

Mas a vida nos prega peças.

No dia 20 de abril de 2016, essa revista aportou em minhas mãos, duas horas após eu receber a notícia do falecimento de meu pai.

Nessa situação, não há qualquer alegria, apenas a sensação de que esse momento ficará marcado de forma indelével em minha vida. Ali, sempre que olhar essa revista na estante, lembrarei-me desse dia cinzento, triste.

Meu pai poderia não entender nada desse mundo imaginário que, diariamente, nos faz esquecer o cotidiano e momentos como esse. Mas, com certeza, ele entendia muito bem o sentido da palavra “HERÓI”. E é isso que ele foi para mim: um SUPER-herói.

Para o alto e avante, meu pai! Te amo para sempre!


Sandro Almeida
Administrador de empresas, amante de quadrinhos, cinema e cultura pop em geral. Sonha em montar um sebo, mas acha que iria à falência, por não querer vender a mercadoria.

5 comentários em “Peças que o destino nos prega

  1. Sei bem o que sentiu Sandro, pois puxei de meu pai toda esta paixão pela arte de colecionar, quando olho meu acervo gostaria muito que ele estivesse presente para junto comigo conversarmos sobre muitas coisas. Hoje ele está no céu, ao lado de Deus, como o seu também está! Parabéns pela homenagem ao seu pai!!

    1. Adriano, muito obrigado pelas palavras. Todos temos um elo em comum: a paixão por esses artefatos de papel, cheios de cores (ou nem tanto) e imagens que nos ligam de forma invisível aos seus antigos donos. Dessa forma, mantemos viva a memória da cultura e daqueles que, antes de nós, propuseram-se à mesma missão. Abraço.

  2. Esta edição especial de Conan, o Bárbaro editada pela Abril, era justamente a edição referente ao filme de 82, dirigido por John Milius, com produção de Raffaela de Laurentiis, roteiros de John Milius e Oliver Stone, e trilha musical de Basil Poledouris, tendo, no elenco, Arnold Schwarzenegger (como Conan), James Earl Jones (como Thulsa Doom), Sandahl Bergman (como a ladra Valéria), Mako e Max Von Sydow (como o rei Osric).
    Este filme foi rodado em locações na Espanha (em regiões perto de Madri e de Almeria [na Andaluzia]).

  3. Os gibis estão associados a momentos marcantes de nossas vidas, felizes e tristes ! E estou certo que seu pai entendia de alguma forma a sua (nossa) paixão pelo mundo mágico dos quadrinhos!

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