O inesquecível início e revelações de fim de churrasco

O mundo dos quadrinhos é muito abrangente, a minha coluna em específico abordará tudo o que ocorre ao redor desse sensacional hobby.

O recruta Zero
O recruta Zero

Tudo aquilo que acontece ao redor desse mundo que só foi possível graças a uma revistinha ou que ela simplesmente fez parte por algum motivo. Falarei sobre o meu início com as HQ’s e uma história que pode muito bem explicar toda essa atração que tenho por elas.

Eu devia ter uns 8 ou 9 anos, tenho um amigo que em sua casa tinha um guarda roupa inteiro cheio de gibis da Turma da Mônica, aquilo nas mãos de criança geralmente não dura muito. Infelizmente eram revistinhas destruídas, rabiscadas e sem capa. Mas aquilo para mim era um paraíso, era uma alegria ir até a casa dele ler gibi, ele estranhava a minha atitude. Provavelmente era inexplicável para ele me chamar para jogar Super Nintendo e eu pedir para ele esperar eu terminar de ler Chico Bento.

Com o tempo ele cresceu e os gibis caíram no esquecimento, recentemente ele me disse que doou tudo para uma escola. Pode parecer egoísta, mas aquilo me doeu. Uma vez quando pequenos, o pai dele que é até hoje um grande incentivador da leitura, nos levou para uma banca e falou para escolhermos 2 gibis cada um.

Lembro até hoje dos que escolhi, era um do Fantasma e um do Tex Willer (que até hoje são as minhas preferidas).

Aquilo se tornou uma memória tão presente que ainda hoje consigo me recordar da sensação que tive quando trouxe as duas para casa e mostrei ao meu pai que abriu um sorriso.

Esse sorriso eu demorei a compreender o motivo, mas quando cresci e um dia meus pais me contaram a forma com que se conheceram eu descobri um lado do meu próprio pai que eu não esperava.

Eu já grande, meu pai sentou no quintal em um fim de churrasco, colocou cerveja em dois copos e comentou: Você ainda gosta de gibis filho?

No começo estranhei, ele não costuma conversar sobre essas coisas. Mas respondi: Sim pai.

Ele depois de uma boa golada, riu e respondeu que também gostava mas que não tinha mais tempo para ler mais e comentou sobre o dia que conheceu minha mãe.

Ele trabalhava em uma antiga e famosa papelaria da cidade, era balconista e no horário de almoço puxou uma gaveta e sentou em cima para ler. Nesse meio tempo uma moça de seus 16, 17 anos chegou e começou a conversar com sua amiga que também era balconista. Quando ela voltou para casa pediu para a amiga apresentar o rapaz que estava sentado na gaveta lendo. E assim tudo começou. Nesse ponto da conversa, meu pai matou a cerveja do copo e sorriu em silêncio.

Eu curioso perguntei: Pai, o que o senhor estava lendo aquele dia?

Ele olhou para mim ainda sorrindo e respondeu: Recruta Zero.

colunista_JuninhoBosco
Juninho Bosco
Estuda jornalismo e coleciona HQs nas horas vagas (herdou o hobby do pai).

Um comentário em “O inesquecível início e revelações de fim de churrasco

Deixe uma resposta