02-05-2017

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O grande Alain Voss (1946-2011)

colunista_MarcosMassoliniAlain Voss foi um dos grandes quadrinhistas da Metal Hurlant, mas no Brasil, onde viveu a maior parte de sua vida (Voss nasceu na França, veio pequenino pra cá e no início dos 70 voltou pra Europa) as suas mais conhecidas “obras” são as duas capas que fez para os Mutantes: “Jardim Elétrico” de 1971, e “Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets”, de 1972.

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Mas o artista, filho e neto de ilustradores, já produzia para os quadrinhos desde os anos 60, em revistas como O Loco (Editora Taika – 1968 – nos moldes da Mad americana e antes da Mad Brasil) e personagens próprios como “O Careca” (1969).

alainvossCEsse último poderia ter sido bem mais conhecido na época, mas a União Brasileira de Editoras, que pretendia lançar a revista do personagem e também a primeira edição de Mônica, desistiu de se lançar nos quadrinhos e todos os 8.000 exemplares de “O Careca” já impressos foram incinerados (no ano seguinte, a Editora Abril lançou Mônica). “O Careca” só foi ressuscitado em 1995, em edição fac-similar do Comix Club.

alainvossEDepois de estourar na França nos anos 70, com fantásticas histórias sci-fi na Metal Hurlant via Les Humanoides Associés (onde se tornou amigo pessoal de Moebius) e álbuns avulsos de grande sucesso, Voss voltou ao Brasil em 1981, publicando HQ na Inter-Quadrinhos (Editora Ondas).

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Aqui, ficou sabendo que seu álbum Adrénaline havia ganho o prêmio de melhor álbum da Europa em 1982. Em 1987 participou da efêmera revista “Monga, a Mulher Gorila” (Press-Maciota -1987). Em 1988 fez a capa para Spirit nº5 da NG Editores.

Voss-Alain-Adrenaline-Livre-1050651_LEntre trabalhos publicitários e editoriais diversos, ganhou dois prêmios HQ-Mix: em 1988, como “melhor desenhista nacional” e 1989, por “melhor exposição” (mostra do Museu da Imagem e do Som).

Em 2001, o Itaú Cultural promoveu o evento “Anos 70: Trajetórias”, destacando o trabalho de Voss ao lado de Robert Crumb, Paulo Caruso, Angeli, Flávio e Laerte.

Nos últimos anos de vida, criou quadros, ilustrou capas de discos (atividade que sempre o acompanhou – vide imagens) e livros e mesmo debilitado por um AVC sofrido em 2009, colaborou com a edição brasileira do Le Monde Diplomatique, produziu a HQ “Anarcity” no computador e lançou as tiras “Os Zensetos” para Caros Amigos.

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Alain Voss faleceu no dia 13 de maio de 2011 em Portugal, onde morou por anos. Na mesma semana do seu falecimento, Rita Lee twittou em sua homenagem: “Alain Voss era um artista gauche. Sarcástico e irônico. Perdia o amigo mas não perdia um deboche cruel. Tenho vários quadros da época Mutante”.

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Além dessa veia sarcástica, era um artista irrequieto, que tinha como hobby fazer miniaturas e réplicas de carros e motos antigas, além de praticar pesca submarina e ouvir rock clássico.

Está mais do que na hora de uma exposição completa de Alain Voss no Brasil. Seus desenhos livres, detalhistas e provocadores falam por si!

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Marcos Massolini
Colecionador pra valer desde 1978. Acompanha com gosto a movimentação atual mas seu hobby ainda é caçar raridades em prateleiras empoeiradas de sebos.

2 comentários em “O grande Alain Voss (1946-2011)

  1. Olá Marcos Massolini !
    Deixei uma mensagem na sua página do Facebook.
    Como esqueço muito de abrir o messenger do face na seção mensagens de não-amigos, pensei, talvez o mesmo aconteça com o Marcos….. kkkk
    Grande abraço!
    Parabéns pelo excelente trabalho!

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