Entrevista | Marcello Quintanilha: o mestre da narrativa!

10423838_1508500466030449_5000517403822015659_n

Marcello Quintanilha talvez seja o nome do momento no atual mercado de quadrinhos. Não só no Brasil como também na Espanha, país em que vive a mais de 13 anos.

Com grande reconhecimento do público em geral, especialmente da crítica especializada, Marcello vem se destacando pelos seus trabalhos bem acima da média, onde mostra todo o seu primor em relação a narrativa e nas construções de suas histórias.

sabadosabado-dos-meus-amoressIndependente de estar longe de seu país, Marcello vem mostrando em seus trabalhos momentos do cotidiano brasileiro. Exemplos disso podem ser vistos em “Sábado dos meus amores” e “Almas públicas”, ambas publicadas pela Conrad e nos seus últimos trabalhos, “Tungstênio” , lançado em 2014 e no mais recente, “Talco de Vidro”, ambos publicados pela Veneta. Um detalhe:  “Sábado dos meus amores” é um dos quadrinhos brasileiros que consta no livro “1001 Comics you must read before you die.” (Inédito no Brasil) ou 1001 quadrinhos pra ler antes de morrer (em tradução livre).

Almas_Publicas_Capa.inddMarcello esteve recentemente no Brasil, mais especificamente em João Pessoa, onde foi promovido pela Comic House, Veneta Editora e Usina Cultural Energisa um bate papo com o artista, para a divulgação de “Talco de Vidro”. Nesse meio tempo, entre uma palestra, fotos e autógrafos, Marcello concedeu uma entrevista, onde ele conta um pouco de tudo.

Onde você nasceu? 
Niterói, RJ.

Qual foi o seu primeiro contato com quadrinhos? 
Através das páginas de quadrinhos dos jornais.

Quem foi, ou quais foram os artistas que mais te inspiraram em sua carreira? 
John Buscema, François Boucq, José Luis García López, Roy Krane, Paul Gulacy, etc.

Você começou profissionalmente como Marcello Gaú. Por que você assumiu o sobrenome Quintanillha? 
Porque imaginava que os quadrinhos sempre seriam uma atividade paralela ao que seria o mundo “jurídico”, oficial; mas a medida em que os quadrinhos foram ganhando cada vez mais espaço na minha vida, a ponto de se tornar minha principal atividade, trabalhar sob um pseudônimo deixou de ter sentido pra mim.

Quais são os quadrinhos brasileiros que mais chamaram a sua atenção? Quais foram os que mais lhe agradaram? 
Sem dúvida os de Flávio Colin.

tungstenio3

Como você tem visto as produções dos quadrinistas brasileiros hoje em dia? 
Em pleno processo de evolução e amadurecimento.

Você acha que os quadrinhos autorais estão ganhando mais destaque aqui no Brasil? 
Sim, sem dúvida; no entanto, em contrapartida, não estamos tendo uma ampliação da diversificação de propostas através de publicações do gênero, o que pode significar um entrave no que se refere à ampliação do público leitor.

As criticas em relação ao seu trabalho aqui no Brasil, são as melhores possíveis. Muitos te consideram um dos mais importantes quadrinistas surgido no Brasil nos últimos anos. Minha pergunta é: como está sendo a repercussão em torno do seu trabalho aí na Europa? Está sendo satisfatória pra você?
Sim, a repercussão tem sido muito satisfatória, especialmente se consideramos que meu trabalho não está em consonância com a maior parte das propostas apresentadas hoje no mercado.

talco-de-vidro-marcello-quintanilha-editora-veneta-preview-3Você mora na Espanha há muito tempo. As histórias que você conta, sobre o cotidiano brasileiro, são inspiradas na época em que você morava aqui, ou são apenas ideias de criação sem uma experiência propriamente dita?
Todas as minhas histórias partem daquilo que vivenciei em primeira pessoa e que me formaram como ser humano.

Você gosta de mostrar o cotidiano brasileiro em seus trabalhos. Você tem ideia ou planos de retratar em uma HQ o cotidiano do país em que vive atualmente, no caso a Espanha?
Até o momento não há nada nesse sentido.

Você tem acompanhado o mercado europeu de quadrinhos? O que você leu, ou o que tem lido, que mais chamou a sua atenção?
Acompanho na medida do possível. Gosto muito de uma autora chamada Rutu Modan.

capa_tungstenioVocê tem planos para que Sept balles pour Oxford, seja publicado no Brasil?
Adoraria, mas as editoras brasileiras ainda não de decantaram nesse sentido.

“Tungstênio” é uma aula de narrativa. Você acha que a qualidade de “Tungstênio” fez os leitores abrirem os olhos pro seu trabalho?
Difícil dizer; meu trabalho tem características que o fazem relativamente não enquadrável nos modelos editoriais apresentados atualmente, mas noto que, a cada lançamento, o número de pessoas interessadas nele parece aumentar.

A editora Veneta fez na minha opinião um ótimo trabalho com Tungstênio. Capa dura e papel couché, em que deixa o seu traço mais low-de-talco-de-vidro2-3b7fab18f46ebfd2bf8c19dd14cfa2aa-640-0bonito. Você faz algum tipo de exigência em relação ao papel e tudo mais para a editora?
Na realidade, isso parte da predisposição e do envolvimento da editora em determinado trabalho.

“Talco de vidro” acabou de ser lançado por aqui, também pela Editora Veneta.O que você pode nos contar sobre esse novo trabalho?
“Talco de Vidro” partiu da minha intenção de trabalhar uma mentalidade, muito mais do que um personagem em si; desta forma, a protagonista encarna uma série de conceitos e valores que nos são incomodamente familiares e sob os quais frequentemente equacionamos nossas vidas de forma quase totalitária.

Marcello, obrigado pela oportunidade.

colunista_AlexandreMorgado
Alexandre Morgado
Coleciona quadrinhos desde sempre, ama John Byrne e mais uma penca de artistas!!!

Deixe uma resposta