20-08-2017

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Do Fundo do Baú: Beto Carrero em Quadrinhos

colunista_MarcosMassoliniDo fundo do meu abarrotado armário, encontrei este exemplar nº1 da revista em quadrinhos “As Aventuras de Beto Carrero”, com esta chamativa capa do mestre Eugênio Colonnese que trago em destaque. Junto à arte do mocinho em dois momentos, destaca-se a chamada no rodapé para o concurso cultural que dava aos ganhadores um cavalo e um pônei ! – o respectivo regulamento veio publicado nas páginas internas.

Fonte: Guia dos Quadrinhos

betocarrero ed2A revista saiu em junho de 1985 pela Editora Cluq (Clube dos Quadrinhos), que tinha em sua diretoria o próprio Eugênio e Wagner Augusto. Os colaboradores eram Gedeone Malagola e Helio do Soveral.

Embora as histórias seguissem a premissa do bang-bang, não havia a presença de revólver nas mãos do mocinho (só seu indefectível chicote) e também eram incluídas algumas paisagens bem brasileiras, como o Pantanal, em belos quadros do professor Colonnese.

Heróica e prolífica trupe essa da Cluq: Gedeone Malagola, falecido em 15/09/2008, aos 84 anos, foi roteirista, editor, desenhista, um dos maiores incentivadores da nona arte até o fim de sua vida e autor de centenas de histórias; Helio do Soveral, português de nascença, radialista, radionovelista, escritor e argumentista de histórias em quadrinhos, principalmente terror, fez muito sucesso nos anos 60 e 70 com seus livros infanto-juvenis e virou mito em Copacabana. Morreu por atropelamento em 1991, aos 82 anos.

capa2jpgWagner Augusto, um dos nossos maiores especialistas em HQ, à frente do Cluq (Clube dos Quadrinhos) já fez verdadeiros milagres no mercado dos quadrinhos nacionais, como o resgate da saga de Ken Parker em álbuns magníficos e acurados, embora em edições limitadas.

E por fim, o grande mestre Eugênio Colonnese, italiano radicado no Brasil desde 1964, incansável artista falecido em agosto de 2008, aos 78 anos – uma vida inteira dedicada aos quadrinhos. Nos últimos anos dava aulas de arte sequencial em sua Escola Estúdio de Artes, em Santo André (no bairro de Utinga, pertíssimo da minha casa).

capa3Uma bela manhã nos anos 90, eu indo para o meu trabalho na Editora Abril, de trem, avisto na estação de Utinga um senhor baixo, com óculos proeminentes e pasta na mão, fumando absorto. Era o Collonese, que vivia pegando o trem tanto no sentido Santo André-Centro como no sentido Brás/Luz. Identifiquei-o no mesmo instante, eu que já colecionava sua arte nos quadrinhos há uns bons anos, mas não consegui um dedo de prosa, pois estava na plataforma de frente, três trilhos distantes. Em duas ocasiões posteriores fui até a sua escola de artes, mas não consegui encontrá-lo. Continuei a vê-lo apenas no papel, através de magistrais quadrinhos banhados de técnica e emoção.

betocarreroFica aqui minha homenagem a todos esses profissionais citados, incluindo também o empresário que virou personagem, Beto Carrero (nome de batismo: João Batista Sérgio Murad) . Na área de entretenimento foi um dos maiores, e quando faleceu, em fevereiro de 2008, deixou para a posteridade um dos maiores parques temáticos da América Latina, o Beto Carrero World, em Santa Catarina, inaugurado em 1991.

A sua paixão por quadrinhos propiciou o surgimento não só desta revista da Cluq, com tamanho magazine (25 x 31,5 cm), e que teve cinco edições lançadas no ano de 1985 – todas com capa e arte interna de Eugênio Collonese (as capas, aqui) , mas também o personagem infantil beto-carrero-3Betinho Carrero, com revista “formatinho” editada pela editora JB World, do próprio Beto Carrero, que chegou a ter oito edições entre os anos de 2006 e 2007 (as capas, aqui), pouco antes de seu falecimento. O personagem Betinho na verdade era um fã do Beto Carrero e vivia aventuras com sua turma do parque, entre eles Baby Elefante, o potro Faisquinha e o índio Peninha de Águia. A produção do gibi ficou a cargo da equipe da Belli Studio Ilustração e Animação.

Embora encarnasse o caubói desde 1970 em rádios, rodeios e circos, Carrero só ficou nacionalmente conhecido em meados dos anos 80, depois de participar de filmes dos Trapalhões e quadros na TV.

Foi a deixa para a realização do seu primeiro gibi, que passou rápido como uma bala pelas bancas em 1985, mas virou um item de excelência entre os lançamentos nacionais da época, tanto por sua produção esmerada como por sua arte e histórias confeccionadas por mestres.

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Um detalhe curioso é que na estreia da seção de cartas no número 2 da revista, o editor Adolfo Eizen resolveu escrever de próprio punho, desejando sorte à empreitada .

Algumas páginas das primeiras edições podem ser apreciadas abaixo.

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colunista_MarcosMassolini
Marcos Massolini
Colecionador pra valer desde 1978. Acompanha com gosto a movimentação atual mas seu hobby ainda é caçar raridades em prateleiras empoeiradas de sebos.

4 comentários em “Do Fundo do Baú: Beto Carrero em Quadrinhos

  1. O chicote era um artefato muito usado no western, além do Zorro (que dependendo da versão, éum western) tinha os atores Lash Larue e Whip Wilson, o Larue ficou conhecido aqui como Don Chicote, seus filmes não eram lançados aqui, mas seus quadrinhos eram publicados pelo jornal O Globo.

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