Festival Guia dos Quadrinhos completa 10 anos!

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Depois de vários anos frequentando o Festival Guia dos Quadrinhos ( que começou como Mercado de Pulgas há 10 anos atrás), evento idealizado pelo batalhador e empreendedor Edson Diogo, responsável também pelo site de mesmo nome, voltei nessa edição de aniversário com mais pique do que nunca, não só porque tinha “furado” nas últimas duas edições, mas também porque sabia que grandes surpresas surgiriam à frente.

A começar pela forma com que entrei desta vez, como expositor, graças ao convite do amigo Francisco Ucha para dividir uma mesa no evento, e que no final acabou virando um trio com a entrada do Alexandre Morgado, colecionador e autor do livro “Marvel Comics – A trajetória da Casa das Ideias no Brasil” (Laços).

O Ucha conheço já há um bom tempo na internet, pelos grupos e leilões de quadrinhos, e ultimamente estreitamos a amizade, em eventos e encontros com o saudoso Álvaro de Moya, além de eu ter participado como revisor e pesquisador de sua obra “O Judoka por FHAF” (AVEC Editora).

O Morgado conheci no próprio festival, em uma de suas edições iniciais.

A primeira e grata surpresa foi ver que a nossa mesa (MP19) ficava ao lado da mesa da Confraria do Gibi, formada por colecionadores do estado do Rio de Janeiro, e que também conheci no Mercado de Pulgas.

Além dos freqüentes André Luiz Aurnheimer, Helio Guerra e Luciano Lino, conheci ao vivo o Marcelo Magalhães, o Zoilo Costa e o Edno Rodrigues, irmão do saudoso quadrinista Edmundo Rodrigues, ele também autor da nona arte e com grandes contribuições para sua história.

Ficar ao lado da Confraria é sempre uma experiência única, tal a festa, a agitação e a troca constante de informações ( e de gibis, é claro! rs. Helio Guerra que o diga).

Não bastasse a presença impoluta do Edno, tomei outro (bom) susto quando vi pessoalmente (finalmente!) o lendário colecionador e amigo virtual das antigas Claudio de Souza Fragnan, dono de uma das coleções mais impecáveis e impressionantes do Brasil, com seus gibis de 60, 70 anos em “estado de banca”, como dizem. Ver ao vivo algumas dessas

maravilhosas edições originais na mesa do Fragnan (incluindo o álbum “Os Piratas do Céo”, do Fantasma – edição do Correio Universal, raríssimo) é um acontecimento único!

Outro dos “vizinhos” com quem conversamos muito foi o Leandro Luigi Del Manto, grande editor de quadrinhos (Abril, Globo, Devir). Durante o evento, troquei e vendi muitos gibis, principalmente com os colegas colecionadores, e a comemoração dos 10 anos ficou ainda mais completa quando reencontrei amigos das primeiras edições do festival: Renato Frigo, Wilson Simonetto, Flavio Luiz, Omar Viñole, José Braga, Celsão Comic Hunter, Marcatti, Cláudio Juris.

Aliás, uma presença que não estava na programação mas que chamou muita atenção foi a aparição no lobby de entrada da Vespa customizada com desenhos do Marcatti.

Entre tantas surpresas e tantas conversas, o festival pegava fogo. A principal atração, o desenhista italiano da Disney Francesco Guerrini, impressionava a todos – e até a seu anfitrião Paulo Maffia – no estande da Culturama, tanto no sábado como no domingo, ao ficar horas e horas autografando, sempre com um sorriso no rosto e elaborando desenhos que não se repetiram em nenhum dos milhares de exemplares que pousaram em sua mesa.

Marcelo Borba, disneyano de primeira, foi o responsável pelo primeiro leilão ao vivo realizado para o FGdQ, e pelo que se viu no palco e na plateia, passou nesse primeiro teste, ao trazer bons arremates e itens bem interessantes – entre eles o mais aguardado era o Thor 11 da EBAL, com a primeira aparição do Homem Aranha em nossas plagas.

Das atrações tradicionais do evento, marcaram presença a oficina de desenho, o espaço para jogos de tabuleiro e RPG, o encontro de cosplays (com muitos e muitos vilões do universo Batman e a presença do sempre elétrico Deddy Edson, aos 81 anos, vestido de Chaves, junto a uma galera jovem que faz cinema) , Quiz Nerd, tocado mais uma vez pelo sagaz Mauricio Muniz e palestras e debates – embora não pudesse me ausentar da mesa por muito tempo, consegui assistir um dos debates, sobre a busca dos quadrinhos por novos leitores, com Jal, Junior Conti (diretor de escola), Sonia Luyten, e mediação de Marcelo Alencar (grande amigo que conheci nos tempos áureos da Editora Abril e que deve ter participado de todos os FGdQ).

O desdobramento era grande para dar atenção aos confrades e babar nos gibis raros – nesse quesito, além da mesa do Fragnan, a disputa ficava entre o estande do Celsão e o espaço reservado para o colecionador Skye Ott, que expôs muitas relíquias de seu acervo particular, entre elas, edições impecáveis de Lobinho, O Gury, Terror Negro, Shazam e Marvel, além de artes originais.

Ainda consegui prosear rapidamente com Manoel de Souza (Mundo dos Super Heróis), Joel Lobo (Selva), Felipe Folgosi (Chaos), Heitor Pitombo (Mundo dos Super Heróis), Laudo Ferreira (Tianinha; O Santo Sangue), Will (Demetrius Dante) e Daniel Esteves (Petisco; Zapata) e ver as antológicas artes nacionais originais da coleção do pesquisador Eloyr Pacheco – outro que pude conhecer finalmente in loco.

Embora eu me ache um colecionador e não um vendedor, a experiência como expositor até que foi satisfatória. Tive muita sorte em dividir o espaço com o casal Francisco Ucha e Luciana Lanzillo mais o Alexandre Morgado, que me deixaram bem à vontade.

Poucos eventos ainda mantém intacto o espírito genuíno do colecionismo voltado para as HQs como o Festival Guia dos Quadrinhos, e acredito que o segredo de seu sucesso esteja justamente em manter esse “ambiente” propício às tradicionais trocas e vendas de gibis, e conseqüentemente às conversas preciosas, por mais que tenha crescido fisicamente ao longo dos anos.

Dessas conversas já saíram muitos projetos, livros, parcerias novas e descobertas fascinantes sobre o universo vasto das HQs. É por isso que eu parabenizo o Edson Diogo e equipe e espero que o festival siga adiante, por muitos e muitos anos.

PS: Depois que escrevi essas linhas, o Edson Diogo anunciou esta edição do FGdQ como a derradeira! Nós do Colecionadores de HQs ficamos tristes com a notícia, mas entendemos a decisão  do Edson Diogo, pois não é fácil fazer uma edição, imagina por 10 anos!! Nós desejamos ao Edson toda sorte em suas próximas empreitadas. Certamente os quadrinhos seguirão em seu seu foco! Valeu!

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Marcos Massolini

Colecionador pra valer desde 1978. Acompanha com gosto a movimentação atual mas seu hobby ainda é caçar raridades em prateleiras empoeiradas de sebos.

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