02-04-2015

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Festival Guia dos Quadrinhos 2015 (28/29 março)

Cada vez mais o Festival Guia dos Quadrinhos (ex- Mercado de Pulgas) comprova sua vocação de evento agregador.

Seja no tête-à-tête dos confrades, nas trocas de colecionáveis e nos itens altamente desejáveis em promoção, seja nas requisitadas palestras, exposições e seções de autógrafos, o FGQ é um acontecimento muito aguardado entre os colecionadores e profissionais ligados aos quadrinhos. Embora eu tenha ficado menos tempo do que gostaria – entre 12h e 16h no sábado – tive gratas surpresas na garimpagem básica e consegui entabular saborosas conversas com os amigos.

Logo que cheguei com meu filho Gabriel, avistei o amigo Alexandre Morgado, colaborador desse site, atravessando a avenida em sentido contrário ao evento, com uma grande pilha de gibis na mão. Ele me contou depois que compromissos o fizeram sair bem antes do desejado. Mas aquela cena foi um indício de que a “caça“ prometia! O próprio Edson Diogo, idealizador do evento, me confirmou em seguida que fez questão de frisar a todos os participantes a importância de se ter na medida do possível, promoções interessantes em cada estande.

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De cara encontrei o jornalista, músico e colecionador Heitor Pitombo, diretamente do Rio, e como de praxe, emendamos um papo bem misturado sobre quadrinhos e música. E mesmo com o burburinho reinante, pude ouvir nitidamente “Gimmie Shelter” dos Rolling Stones, espalhando-se pelo som ambiente. Resolvi “encher a sacola” antes de qualquer coisa, mergulhando em estandes estratégicos como “Emporio HQ”, “Planeta Gibi”, “Grillo HQ”, Celsão “Comic Hunter” e “HQQG”. E mais por necessidade que por estratégia, dessa vez recorri às pilhas promocionais.

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Não me arrependi. Nessa triagem encontrei itens bem interessantes, citando os menos óbvios: quatro edições da revista “Implacável” da Editora Columba (1970), produzida na Argentina, mas direcionada para o mercado brasileiro, com séries desenhadas por Horacio Altuna e Lucho Olivera, entre outros; “Eureka” no 1 (1974), famosa revista idealizada por Ota Assunção em seus tempos de Vecchi; “Um Passo Além apresenta Histórias Inacreditáveis” e “Tico e Teca”, ambas editadas pela Ideia Editorial em 1976; A Era dos Halley da Editora Abril, com desenhos do mestre Roberto Kussumoto, pegando rabeira na decepcionante aparição do cometa em 1986; alguns daqueles livrinhos de borda amarela da Saber S/A e Editora Paladino ( Dick Tracy, Brick Bradford e Brucutu), e um inacreditável “New Funnies” de 1947, original da Dell Comics, perdido entre números de Chiclete com Banana e Animal (vejam na seção “Capas”). Para terem uma ideia, nenhum desses itens ultrapassou os R$10,00!

Meus maiores gastos no evento foram com o novo “Os 80 Anos do Pato Donald”, caprichada homenagem da Editora Abril em edição de luxo, e com um item que eu nunca tinha visto na vida, “Coalhada na Copa” (1978), da RGE, com histórias do próprio Chico Anísio e desenhos de Paulo José (desenhista que depois se embrenharia em edições espíritas).

Sacola cheia, fui curtir o evento. Encontrei grandes chapas transitando: o inabalável Claudio Juris, também vindo do Rio, com virose e tudo, mas que jamais perderia a presença de um mestre Disney; Marcelo Naranjo, do Universo HQ, contador de histórias nato e um baita farejador de raridades; o grande Will, artista homenageado com exposição pelos seus 10 anos no mercado, que me presenteou com seu último rebento, “Os Arquivos dos Casos de Demetrius Dante” ( em conjunto com Alex Mir e Mônica Lan), com dedicatória “sui generis” que explicarei em um momento mais oportuno.

No celular, um recado do Renato Frigo dizendo que tinha acordado muito mal e não viria. Maurício Muniz, um dos organizadores, andava pra lá e pra cá. Nos estandes, mais amigos: Wilson Simonetto, com sua bat-família, sempre generoso; Guilherme Kroll e sua Balão Editorial; a dupla premiada Laudo Ferreira e Omar Viñole; Manoel de Souza, da revista Mundo dos Super-Heróis, vibrando com sua linda filha no colo; Flávio Luiz, Sam Hart e mestre Primaggio.

Subi para a imperdível palestra “Herrero – Vida e Obra de um Mestre Disney”, ministrada pelo meu velho conhecido Marcelo Alencar, um dos maiores entendidos em Disney no Brasil, o editor Paulo Maffia , e claro, o lendário Carlos Edgard Herrero, cocriador do Morcego Vermelho e desenhista de mais de quatro mil páginas de HQs.

 Carlos Herrero e Marcos Massolini
Carlos Herrero e Marcos Massolini

Direto para o cofreA conversa foi esclarecedora e em muitos momentos, hilária: o artista, que sempre foi muito reservado e raramente aceita convites para eventos, se mostrou bem espirituoso e contou vários casos de bastidores e detalhes de sua volumosa produção. Eu, que não sou bobo nem nada, já tinha feito um pit stop com o mestre momentos antes da palestra e ganhado sua econômica e ligeira assinatura ao lado de seu perfil na edição especial de Donald (por sinal, o único brasileiro presente). Outro destaque na animada palestra foi a presença no centro da mesa dos bonecos do Morcego Vermelho e do Superpateta, da Eaglemoss, vindos da coleção do Marcelo Alencar e cobiçados por boa parte da cheia plateia. Plateia aliás repleta de artistas e profissionais de quadrinhos: além da presença ilustre do artista brasileiro Carlos Mota, que desenha personagens Disney para a Editora Egmont, na Europa, tive a oportunidade de finalmente conhecer pessoalmente o desenhista, colorista e roteirista Fernando Ventura, outro que manja tudo de Disney no Brasil e um dos mais ativos pesquisadores do Inducks.

Marcelo Alencar, Fernando Ventura, Paulo Maffia, Herrero e sua filha.
Em pé: Fernando Ventura e a filha de Carlos Herrero.
Sentados: Marcelo Alencar, Carlos Herrero e Paulo Maffia.

Graças ao meu filho, sempre à postos, ficaram os registros fotográficos desses momentos. Com tanta informação e emoção para uma tarde só, voltei levitando e um tanto zonzo para meu lar em São Caetano do Sul, com a certeza de que o Festival Guia dos Quadrinhos é hoje um dos eventos mais interessantes e prazerosos para quem como nós, ama as HQs.

Até a próxima edição do Festival!
Até a próxima edição do Festival!

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Marcos Massolini
Colecionador pra valer desde 1978. Acompanha com gosto a movimentação atual mas seu hobby ainda é caçar raridades em prateleiras empoeiradas de sebos.

5 comentários em “Festival Guia dos Quadrinhos 2015 (28/29 março)

  1. Foi sensacional ! E realmente .. preços imbatíveis dessa vez ! Eu que tinha colocado na cabeça que não iria comprar nada … bem … sai com a mochila cheia !
    Como sempre bem organizado …
    O mais legal, além das palestras , sendo que só fui no sábado , foi poder comprar material independente e tudo mais !
    O ponto negativo, que deve ter ocorrido para alguns, foi a compra do Donald 80 e Tio Patinhas Saga , pelo site do Planeta Gibi para retirar no Festival, até pensando em poder pegar um carimbo do Herrero , e no fim, foram enviados pelo correio …
    Tudo bem, que “ganhamos” a entrada … mas … enfim …
    Engraçado foi o Herrero, autografando um do Donald, e ele não sabia como escrever o nome do cara … quase que desistiu ! Haha

  2. João Marcos, só agora estou conseguindo ler o que comprei no Festival. E comigo foi a mesma coisa: fui com a intenção de não comprar muita coisa. No fim, sacola cheia…kkk. E muitos itens para ler…

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