01-05-2016

Por

Evandro Mesquita, Blitz e os Quadrinhos

colunista_AntonioBuhrerCulturalmente falando, os anos 80 do século passado necessariamente têm de ser associados à banda carioca BLITZ, liderada pelo cantor, ator e multimídia Evandro Mesquita! Foi ela que deu o pontapé crucial ao que chamam de Rock Brasileiro dos anos 80.

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A grande importância da BLITZ foi ter tornado mais amplo e popular uma série de artes e costumes de uma classe média ligada ao underground artístico do Rio de Janeiro da década anterior. Grupos como “Asdrubal Trouxe o Trombone” (de onde saiu Evandro e a atriz Regina Casé, entre outros), gibis como A “Esperança no Porvir” (onde Evandro Mesquita começou a fazer quadrinhos), além do pessoal da “Geração Mimeógrafo” de fanzines e poesias; todas estas manhas de “vanguarda” ou marginais foram incorporadas pela BLITZ nos anos 1980. Histórias em quadrinhos, narrativas radiofônicas, humor, cafonice, poesia jovem, até um pouco de vanguarda, tudo isto foi incorporado nas músicas e apresentações da banda. Um verdadeiro happening!!!

BlitzLPA parte visual da banda também era caprichada, produzida pelo estúdio de design “A Bela Arte” (formado pelos artistas gráficos Luis Stein e Gringo Cardia). O logotipo da Blitz foi inspirado no do grupo de heróis mutantes da Marvel, X-Men. E numa grande sacada, veio encartado no primeiro LP da banda ( “As Aventuras da Blitz”) o hoje raríssimo gibi homônimo. Esta revistinha tinha uma cara retro, cheia de colagens e era uma paródia dos antigos almanaques de “pharmacias” brasileiros, bem como de revistas populares dos anos 50, como “Manchete” e “Cruzeiro” (imagens no link do final da coluna). Vale lembrar que este gibi, produzido em 1982, trazia a mesma estética e tipo de humor que seria usado pelo “Planeta Diário” e “Casseta Popular”, pois os humoristas de ambas as publicações eram amigos da BLITZ e compartilhavam o mesmo humor debochado e escrachado, típico do Rio de Janeiro.

amarNo gibi encartado, também criado pela dupla de designers Luiz Stein e Gringo Cardia (então no estúdio A Bela Arte e, como a Blitz, em começo de carreira), com anúncios absurdos estrelados pela banda e uma HQ contando a história de “Você não soube me amar”, toda feita com colagens e participações discretas de Fantasma, Madrake, Mulher-Gato.

Como foi resvalado a pouco, Evandro Mesquita não era um calouro em se tratando da linguagem das HQs: o cantor/compositor/ator foi também desenhista de quadrinhos, no início dos anos 70, nas páginas da “Esperança no Porvir”, revista underground independente lançada na virada de 1972 para 1973. No ciclo das publicações alternativas de quadrinhos da época, essa publicação esteve lado a lado com Balão , Boca, Risco e tantas outras e marcou época. Editada por Milton Machado, teve um número apenas. Mesquita participou com a HQ “O Parto”, assinando apenas como Evandro. Um dos autores publicados que depois iria fazer carreira importante como cartunista e depois artista plástico foi o saudoso Mollica.

batataA BLITZ estourou em 1982 e durou poucos, mas intensos anos ( com algumas voltas esporádicas, sempre capitaneada por Evandro). Já o Planeta Diário e a Casseta Popular, depois de alguns anos publicando seus respectivos veículos, acabaram fundindo suas equipes numa só e fundaram a “Casseta e Planeta”, abandonando as publicações e virando um programa de TV bem sucedido. Em 2007 Evandro Mesquita chegou a lançar pela Editora Rocco o livro “Xis-Tudo”, com contos, desenhos, poemas e histórias em quadrinhos.

Para visualizar o gibi encartado do LP “As Aventuras da Blitz”, clique aqui.
(coluna atualizada e ampliada a partir da coluna original de 10/05/2010 do site Bigorna. Pesquisa e edição de Marcos Massolini).

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colunista_AntonioBuhrer
João Antonio Buhrer

Arquivos Incríveis.

Um comentário em “Evandro Mesquita, Blitz e os Quadrinhos

  1. Este aspecto vanguardista da Blitz ficou esquecido nestes tempos de descarte rápido de tudo. Tenho esta edição do disco com o encarte e ainda com a última faixa riscada por causa da censura.

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