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colunista_AlexandreMorgadoO entrevistado da vez é um dos maiores nomes do nosso mercado nacional: Vitor Cafaggi. Vitor vem fazendo um trabalho de alto nível com muitas criticas positivas. 

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Iniciou sua carreira com as tiras online “Puny Parker”, série de tiras contando histórias da infância do Peter Parker, alter ego do Homem Aranha. Depois foi a vez do seu personagem “Valente” ganhar vida. Publicado pelo jornal “O Globo”, foi lançado independente e posteriormente saiu pela Editora Panini.

duotone-capaPublicou em 2011 de forma independente a HQ “Duo.Tone”, que lhe rendeu em 2012 o troféu HQMIX de “Novo talento roteirista”. Além de seus trabalhos autorais, Vitor escreveu e desenhou uma história do Chico Bento no especial MSP 50. A parceria com os estúdios Mauricio de Sousa deu tão certo, que Vitor desenvolveu mais dois belos trabalhos para a Turma da Mônica: as Graphis Novels “Laços” e “Lições”, em conjunto com sua irmã, Luciana Cafaggi. Nessa entrevista, Vitor fala sobre sua carreira e o que vem por ai.

Quando e como você começou a se interessar em desenhar?
Sempre gostei de desenhar. Acredito que toda criança gosta. Desenhar é uma coisa instintiva e natural do ser humano. Os homens das cavernas faziam isso. Meus pais sempre compraram muita revista em quadrinhos pra mim. Sempre que eu tinha que fazer uma coisa chata, como ir ao médico, ou me levar pra cortar o cabelo, meus pais me compensavam com uma revistinha. E as revistas da Turma da Mônica foram meu primeiro contato com a linguagem dos quadrinhos. Quando eu era bem pequeno mesmo, os quadrinhos de super- heróis eram um pouco cansativos pra mim, tinham muito texto e valiam mesmo só pelas imagens. A turma da Mônica não, eu queria ler, eu queria entender o que aqueles personagens estavam fazendo. Conheci os quadrinhos do Mauricio ainda bem pequeno graças a meu irmão mais velho e, naquela época, eu adorava passar minhas manhãs desenhando. O tempo foi passando e esses meus desenhos começaram a contar histórias. Hoje em dia, eu sinto que não existem limites. Podemos fazer de tudo em uma história em quadrinhos.

Quais quadrinhos você lia na sua infância?
Eu lia tudo da Turma da Mônica, da Disney, Luluzinha e Bolinha. Essas eram as revistinhas que meu irmão colecionava. De vez em quando eu ganhava alguma HQ de super- herói de presente. Homem-Aranha e Capitão América eram os meus favoritos.

Além dos quadrinhos, quais são as suas outras influências na cultura pop, como filmes, músicas etc?
Tudo que aparece nos meus quadrinhos. Valente, Puny Parker, Laços e Lições são cheios de referências a filmes do Stallone, “De Volta para o Futuro”, músicas dos anos 80.

Como foi que você teve contato com as histórias do Homem Aranha da fase Lee/Ditko/Romita?
A primeira vez que li os quadrinhos dessa época foi quando a Editora Abril lançou uma revista chamada Marvel Especial, em 1986, se não me engano. As duas primeiras edições apresentavam toda a saga do Homem Aranha contra o Duende Verde. Li e reli aquelas histórias várias vezes.

Puny Parker foi o seu primeiro trabalho com quadrinhos?
Sim.

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Por que você decidiu fazer esse trabalho em um blog em vez de publicá-las em uma revista?
Porque eu fiz Puny Parker pra aprender a fazer quadrinhos. Quando comecei nem imaginava que aquilo sairia do meu Orkut. Não tinha nenhuma pretensão com aquelas tirinhas. Eu realmente não sabia o que estava fazendo e nem sabia que faria 140 tirinhas. Quando comecei achei que faria só umas dez.

Alguma editora brasileira se interessou em publicar Puny Parker?
Sim, a Panini se interessou e até iniciou umas conversas com a Marvel.

O legal de Puny Parker pra mim, além do clima que lembra a nossa infância, é a fase abordada do trio Lee/ Ditko/Romita, que é uma das fases minhas preferidas. Você já pensou em mandar esse material para a Marvel?
Pessoas na Marvel já viram Puny Parker, isso eu posso garantir. Mas nunca foi minha intenção publicar uma versão impressa daquelas tirinhas.

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Conte como foi o convite pra você fazer a história do Chico Bento no MSP 50?
O Sidney Gusman me ligou em um sábado de manhã me fazendo o convite, explicando o projeto e já me informando vários artistas que estavam participando do livro. Ele pediu que eu escolhesse um personagem e dissesse pra ele de quantas páginas eu precisaria. No mesmo dia eu já tinha tudo planejado.

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Vamos falar de “Valente”. Como que Valente foi do jornal O Globo, depois lançado de forma independente e posteriormente pela Panini?
A conversa com a Panini começou em 2012, durante o Festcomix, em São Paulo, enquanto eu lançava o segundo volume, “Valente Para Todas”. Nunca tinha procurado uma editora. Nessa primeira conversa, a editora demonstrou interesse em lançar o Valente. Ao longo de 2013, continuamos conversando sobre essa possibilidade. Pouco antes do FIQ, mais uma vez em uma decisão bem em cima da hora, fechamos essa parceria.

Podemos dizer que Valente é uma extensão de Puny Parker? O quanto tem de você nessas séries?
Os dois têm muito de mim. O Puny meio que representa a infância. Já o Valente é a adolescência.

Depois de ter feito o MSP 50, você produziu com a sua irmã Luciana Cafaggi as Graphic Novels “Laços” e “Lições”. Fale-me sobre o processo de criação desses trabalhos! Como foi a experiência de trabalhar com a sua irmã?
Trabalhar com a Lu foi ótimo! A gente aprende muito um com o outro, a gente conversa muito, não só sobre quadrinhos, a gente pensa parecido. Minha irmã é uma das pessoas mais inteligentes e talentosas que eu conheço, então é sempre bom ouvir o que ela tem a dizer. Na verdade, confio mais na opinião e no bom gosto dela do que nos meus. Ter mais alguém na minha casa fazendo quadrinhos torna isso um trabalho menos solitário. Dá mais confiança e enriquece muito o produto final.

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Vitor e sua irmã Lu Cafaggi

Você tem vários trabalhos, onde você participa em conjunto com outros artistas. É o caso de “Pequenos Heróis” (lançado pela Devir) “Futuros Heróis”(lançado pela Desiderata) “Fulanos & Fulanas” e “321: Fast Comics” (ambos independentes). Como você vê essas colaborações coletivas de vários artistas em uma mesma publicação?
É legal pra todo mundo. Na maioria das vezes é difícil encaixar um trabalho longo dentro do seu cronograma. Essas histórias curtas nas coletâneas você consegue encaixar. Fora que é uma ótima vitrine pra mostrar seu trabalho.

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Qual é a sua opinião em relação aos trabalhos que estão sendo feitos em forma de financiamento coletivo?
O financiamento coletivo é uma ótima opção! Tem dado ótimos resultados com quadrinhos e está nos meus planos fazer um projeto em financiamento coletivo futuramente.

O que é melhor pra você hoje. Publicar de forma independente ou por editora? Como você avalia na hora de publicar um novo trabalho?
Eu não avalio, na verdade. Trabalhar com a Panini tem sido ótimo. As revistas com a Panini chegaram a lugares que eu, como independente não consigo chegar. Outro ponto positivo é que não preciso mais me preocupar com a distribuição, com o controle das vendas e o envio das revistas, sobrando mais tempo pra escrever e desenhar.

Vamos ter mais “Valente” por ai? O que mais podemos esperar para o futuro?
Sim, a idéia é termos mais dois livros do Valente. Vamos acompanhar mais um tempo na vida dele na faculdade e seu amadurecimento.

colunista_AlexandreMorgado
Alexandre Morgado
Coleciona quadrinhos desde sempre, ama John Byrne e mais uma penca de artistas!!!

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