08-04-2015

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Encontros

Colecionadores de quadrinhos, geralmente, têm algumas histórias para contar. Umas boas, outras ruins. Esse fato que aconteceu comigo foi, no mínimo, obra do destino, que disse: “Esse é o cara”.

11148895_10200578382538226_342554230_nPor volta do ano de 1989, eu era um simples estudante do segundo grau (sim, eram tempos pré-históricos), apenas tentando passar de ano e conseguir comprar meus quadrinhos. Eu não trabalhava na época, então fazia alguns “bicos” para conseguir manter esse vício que somente quem vive esse mundo conhece. Nessa época, como a grana era curta, eu acompanhava apenas duas publicações: Homem-Aranha e A Espada Selvagem de Conan, ambas da Abril.

Naquele mês, já adquirira o HA, faltava a Espada. Mas, como na vida de pobre, a grana sempre acaba antes do mês, fiquei liso e a revista já estava nas bancas. E justamente no mês em que chegava ao fim a saga da Rainha da Costa Negra. Era a edição 57. Pior que não tinha grana nem para os sebos. Pura pindaíba mesmo. O jeito foi me conformar e continuar com os estudos. Mas confesso que a decepção foi grande. Enfim, bola para frente.

Mas, como disse lá em cima, o destino sorriu para mim de uma forma que nunca imaginara. Lá pelas 23:00h, voltando das aulas (é, eu estudava à noite, para tentar trabalhar durante o dia), após me despedir de um colega de classe, o que vi? Quando conto, ninguém acredita. À minha frente, a uns cinco metros de distância, notei algo espalhado pelo chão. Nesse caso, a curiosidade não matou o gato e eu me aproximei.

Quando cheguei perto, a surpresa (que todos já devem desconfiar): a edição que não pude comprar estava ali, aberta, de capa para cima, atraindo meu olhar de total incredulidade.

Dizem que Davis Crippen é o santo protetor dos quadrinhos. Se existe um santo para os colecionadores, juro que não fiz qualquer promessa, mas mesmo assim, ela estava ali, ao meu alcance. Não pensei duas vezes, peguei-a e tratei de limpá-la. Estava meio detonada, mas nada faltando e com capa em boas condições para uma revista achada em plena rua àquela hora. Voltei para casa e devorei a revista com a pressa de quem demorou muito a ler uma história há muito esperada.

Nunca soube se alguém perdeu ou se desfez da revista (neste caso, agradeço pela pessoa não ter tido senso ambiental), mas o fato é que não pulei a edição e, nos meses seguintes, de uma forma ou de outra, consegui comprar todas as edições. Poucos meses depois, consegui um emprego e as coisas melhoram bastante. Por isso, caros colecionadores, não desanimem perante alguma dificuldade como namorada ou esposa que não lhes entendem ou algumas traças que insistem em aparecer em sua estante. No fim, tudo dá certo.

Ah, sim. Aquela edição que encontrei foi substituída por uma em melhores condições, mas nunca esquecerei aquele momento mágico. Mágico como uma história em quadrinhos.


Sandro Almeida
Administrador de empresas, amante de quadrinhos, cinema e cultura pop em geral. Sonha em montar um sebo, mas acha que iria à falência, por não querer vender a mercadoria.

4 comentários em “Encontros

  1. Devia ter guardado a edição que encontrou como “relíquia” para canonizar algum “santo dos quadrinhos”… rsrs

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