Em busca de um ídolo (parte I – O primeiro contato)

Nunca foi muito fácil ser artista no Brasil, especialmente nas Histórias em Quadrinhos. Se a realidade é complicada nos dias de hoje, imaginem como seria isso nos Anos 70?

Algumas editoras mal colocavam o nome dos desenhistas e roteiristas nacionais nos expedientes das publicações. Outras permitiam que alguns deles assinassem seus trabalhos, onde era possível observar alguns nomes que hoje se transformaram em verdadeiras lendas entre todos os Quadrinhólatras.

Evaldo de Oliveira, Murilo Marques Moutinho, Primaggio Mantovi, Walmir Amaral… esses eram alguns nomes que tínhamos a oportunidade de observar nas revistas da antiga RGE – editora carioca que nos brindava mensalmente com alguns clássicos dos Quadrinhos, como Fantasma, Mandrake, Recruta Zero, Cavaleiro Negro, e tantos outros.

HQ Point_0001Bom, eu era muito moleque nos idos de 1974 – tinha apenas 5 anos – mas já gostava muito mais das revistinhas do que de jogar bola. Meus pais, ao contrário de muitos daquela época, viviam presenteando seus filhos com Zé Carioca, Brucutu, Riquinho, Recruta Zero, Tio Patinhas, e mais uma infinidade de mágicos tesouros que habitavam as bancas de jornais brasileiras naqueles tempos. Antes mesmo de aprender a ler, lembro perfeitamente como eu ficava fascinado com aqueles desenhos todos, coloridos ou não. Um dia, no entanto, ganhei de presente de minha mãe o primeiro número do Gibi Semanal – uma revista muito maior que as outras, feita em papel jornal, e que trazia uma penca de personagens, a maioria oriunda dos famosos ‘syndicates’.

Quarta-feira – esse era o mágico dia em que o Gibi Semanal era distribuído – e inevitavelmente, no dia seguinte, era esse o dia em que minha mãe ou meu pai chegavam do trabalho com aquele presente tão esperado por mim. E foi assim durante 40 semanas, até o dia em que a RGE anunciou o fim da publicação (devido às baixas vendas), deixando toda uma geração de leitores órfã de um inegável marco editorial brasileiro.11178631_830114770396658_259854947_n

Uma das coisas mais legais do Gibi Semanal eram suas capas – nelas se revezavam as Artes de dois Mestres dos Quadrinhos: Murilo Marques Moutinho e Walmir Amaral. E essa era a primeira coisa que aquele garotinho que eu fui fazia – procurar a assinatura dos meus ídolos, a cada nova edição. Acredito que todos os leitores faziam o mesmo, mas duvido que isso acontecia com um moleque de cinco, seis anos.

O tempo passou, e o Gibi Semanal não voltou mais para as bancas, apesar de toda a esperança que isso pudesse acontecer, sugerida pela triste carta de despedida publicada na edição 40. No entanto, em um dia que não lembro exatamente qual foi, no distante ano de 1977, minha mãe surgiu com uma arrebatadora notícia: um primo dela estava trabalhando na RGE, de tal modo que seria possível que fizéssemos uma visita ao famoso endereço da Editora, no Rio Comprido.

Vocês não podem imaginar a emoção que tive. Agora talvez fosse possível conhecer os heróis da minha infância – os responsáveis porque eu tenha me tornado um apaixonado inveterado pelas Histórias em Quadrinhos. Essa seria a oportunidade única para conhecer pessoalmente o Murilo e o Walmir!

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Quadrinhólatra Obsessivo-Compulsivo, sem a menor chance de cura.

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