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Hoje em dia, estão na moda os famosos e luxuosos encadernados em capa dura. Tem para todos os gostos e bolsos. Edições com verniz na capa, letras douradas e outros babadinhos que fazem a edição se destacar na banca ou, como é mais comum, nas livrarias.

Mas será que vale a pena?
A começar pelo critério utilizado para dar esse tratamento mais luxuoso a determinadas sagas ou arcos de histórias. Eu comparo as histórias com um filme. Se for bom, pode merecer uma versão em disquinho azul. Caso contrário, melhor comprar o DVD mesmo.

Mas esse critério, ao que parece, não é seguido pela principal editora do país. Histórias que saem em revistas mensais, ao completarem um arco de seis edições, já saem em capa dura.

Não justifica. No máximo, uma edição em capa cartão, com preço mais acessível, ficaria de bom tamanho.

Claro que há os pesos-pesados, que são venda certa e justificam, sim, o tratamento diferenciado. E são os mesmos de sempre: Cavaleiro das Trevas, Watchmen, Batman Ano Um, A Saga da Fênix Negra, Dias de um Futuro Esquecido e tantas outras.

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Estratégia de marketing?
Acredito que seja uma carona na visibilidade que os personagens têm atualmente, devido à indústria cinematográfica. E não é ruim, pois atrai toda uma geração que está percorrendo o caminho inverso que nós, da velha guarda, fizemos. Estão migrando do cinema para os quadrinhos, procurando saber mais sobre os personagens que curtem nas telonas.

Faz sentido apresentar um projeto gráfico melhor a esse público que, em um primeiro momento, não acompanha as revistas de linha e consome esse material. Eu mesmo vejo, em minha cidade, um crescimento enorme de adolescentes frequentando as bancas, atrás dessas edições.

Como disse, nada contra. Mas tenho minhas ressalvas. Quando essa onda de produções baseadas nos personagens aquiescer, quem será o público-alvo da vez?

Até encontrarem um, desconfio que sejamos nós, que continuaremos a consumir nossos encadernados em inúmeras versões das mesmas histórias. Mas até quando?

E não somos suficientes para manter esse mercado cada vez mais elitizado.


Sandro Almeida
Administrador de empresas, amante de quadrinhos, cinema e cultura pop em geral. Sonha em montar um sebo, mas acha que iria à falência, por não querer vender a mercadoria.

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