Dylan Dog em “As Noites da Lua Cheia”

Dylan Dog N°3 record
Editora: Record
Autores: Tiziano Sclavi (texto), Giuseppe Montanari (desenhos) e Ernesto Grassani (arte-final)
Preço: Cr$ 690,00 (preço da época)
Número de páginas: 100
Data de Lançamento: Outubro de 1991

Sinopse
Dylan Dog e Groucho viajam até a Alemanha, mais especificamente ao interior da Floresta Negra, onde a jovem Mary Ann Price desapareceu sem deixar vestígios do colégio feminino onde estudava. Mesmo argumentando que foram contratados pelo pai da moça, Dylan e Groucho são hostilizados pela proprietária da instituição, se dirigindo então ao vilarejo vizinho de Wolfburg, onde, após uma grande confusão, acabam conhecendo Rudy, um taberneiro que lhes fala a respeito dos “Forasteiros”, seres não-humanos que surgem ameaçadoramente do interior da floresta nas noites de lua cheia.

Crítica
Eis aqui a edição que me converteu definitivamente em fã fervoroso de Dylan Dog. Não por acaso, essa costuma ser unanimemente considerada pelos apreciadores do personagem como uma de suas melhores histórias, não apenas em função do roteiro, inteligente e empolgante, mas também em função da arte de Montanari e Grassani, que poucas vezes foi equiparada, no sentido de presentear os leitores com ilustrações refinadas e detalhistas, ao mesmo tempo belas e sinistras.

Em relação ao roteiro, ele nos dá uma boa amostra da genialidade de Sclavi ao pegar a figura mítica do lobisomem e subverte-la, fugindo totalmente dos clichês do gênero, e mesmo assim nos apresentando situações inquietantes e perturbadoras. O folclore que os aldeões desenvolveram em torno das figuras dos “Forasteiros” já é por si só intrigante, mostrando como o medo do desconhecido pode moldar as atitudes de toda uma comunidade, mantendo-os trancafiados dentro de suas casas ou atirando a esmo em que ousa transitar pelas ruas desertas nas noites de lua cheia.

A própria ambientação da história – no meio da obscura floresta ou pelas ruas de um vilarejo remoto e sombrio – se configura em um show à parte, conferindo à aventura ares de um conto gótico contemporâneo. Para isso contribui muito o já supracitado trabalho de ilustração. Observe a sequência em que Dylan e Groucho chegam ao vilarejo de Wolfburg e repare na presença da lua cheia em praticamente todos os quadros, brilhando entre galhos ressacados de árvores decrépitas ou semiencoberta por nuvens carregadas.

E por falar em Groucho, a exemplo do que fez na primeira edição, aqui ele novamente tem um momento em que deixa as piadas de lado e entra em ação de verdade, naquele que é um dos pontos altos da história. Outra personagem que merece ser citada é Alexandra, uma aluna do colégio feminino com quem Dylan tem um breve envolvimento, mas que serve para reforçar a aura de “galã trágico” que acompanha o Investigar do Pesadelo.

Antes de concluir, não posso deixar de mencionar o “vilão-surpresa” que dá às caras quando o mistério se apresenta aparentemente esclarecido, e proporciona um dos finais mais apoteóticos entre as aventuras de Dylan Dog que já tive a oportunidade de ler.

Enfim, se você ainda não leu, leia, porque nesta edição estão bem destacados alguns dos principais elementos que fizeram de Dylan Dog um personagem tão cultuado ao longo do tempo. Se já leu, indique para um amigo que ainda não tenha lido. Garanto que será um excelente chamarisco para conquistar novos fãs.

Classificação

 André Bozzetto Jr
Graduado em História e Mestre em Letras, tem como um de seus hobbies colecionar histórias em quadrinhos. É fã dos personagens clássicos da Sergio Bonelli Editore, em especial de Dylan Dog, o Investigador do Pesadelo.

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