Dylan Dog em “Jack, O Estripador”

Fonte: Guia dos Quadrinhos
Fonte: Guia dos Quadrinhos

Editora: Record
Autores: Tiziano Sclavi (texto) e Gustavo Trigo (desenhos)
Preço: Cr$ 550,00 (preço da época)
Número de páginas: 100
Data de Lançamento: Setembro de 1991

Sinopse
Após uma sessão espírita onde o fantasma de Jack, O Estripador é evocado, a médium que comandou o ato é brutalmente esfaqueada nas ruas de Londres. Dylan Dog é então contratado por Jane Sarandon, enteada da médium assassinada, com o objetivo de desvendar o crime e assim provar a inocência de Jane, pois, por ser herdeira da fortuna de sua madrasta, passou a ser vista como uma possível suspeita.

Crítica
Calcada na clássica premissa dos suspenses policiais e dos ditos giallos italianos, a pergunta “quem será o assassino?” é o que impulsiona essa história, onde todos os participantes da sessão em que ocorreu a evocação de Jack, O Estripador são, ao mesmo tempo, suspeitos e vítimas em potencial, estando o fio condutor da ação focado nas investigações de Dylan, que, enquanto busca pela identidade do criminoso, tenta – sem muito sucesso – impedir que novas mortes aconteçam.

Nesta edição temos uma participação mais ativa do Inspetor Bloch, que demonstra muito apreço pelos dotes investigativos de Dylan, consultando suas opiniões e até aceitando trocar informações na busca da solução do caso. Também temos Groucho proferindo algumas daquelas que provavelmente sejam suas mais infames piadas, ao mesmo tempo em que sofre forte concorrência da personagem Jane para ver quem tem as atitudes mais nonsense e irritantes. E por falar na moça, aqui também começa a ficar clara a quase irresistível tendência do Investigador do Pesadelo em se envolver afetiva ou sexualmente com suas clientes e eventuais informantes, sendo que tais relacionamentos tendem sempre a acabar de forma abrupta, ou até mesmo trágica.

Tendo um roteiro bem menos inspirado do que na edição anterior, essa história não aproveita praticamente nada do folclore existente em torno da figura de Jack, O Estripador, o que acaba sendo um desperdício de potencial criativo ao ponto de que, se o assassino em questão recebesse qualquer outro nome, não faria nenhuma diferença. Os melhores momentos da aventura acabam se concentrando na macabra noite de tempestade em que os personagens principais passam na mansão do Lorde Dunsey e no final ambíguo, que dá margem para o leitor desenvolver sua própria teoria acerca do desfecho da história.

Por sua vez, a arte de Gustavo Trigo é muito boa, fazendo um uso eficiente dos contrastes entre luz e sombras para evidenciar o clima de iminente ameaça que pontua toda a história, além de detalhar com esmero a fisionomia dos personagens, apresentando um resultado geral bem agradável aos olhos.

Longe de figurar entre as melhores aventuras do Investigador do Pesadelo, essa história ainda tem um significativo apelo junto ao leitor em função da curiosidade natural que desperta acerca da identidade do assassino, e do carisma inerente ao próprio personagem de Dylan Dog, o que, mesmo nas mais adversas situações, sempre nos faz torcer para que ele sobreviva a mais uma noite de terror.

Classificação

 André Bozzetto Jr
Graduado em História e Mestre em Letras, tem como um de seus hobbies colecionar histórias em quadrinhos. É fã dos personagens clássicos da Sergio Bonelli Editore, em especial de Dylan Dog, o Investigador do Pesadelo.

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