24-11-2017

Por

Dylan Dog em “A Beleza do Demônio”

Editora: Record
Autores: Tiziano Sclavi (texto), Gustavo Trigo (desenhos)
Preço: Cr$ 1.900,00 (preço da época)
Número de páginas: 100
Data de Lançamento: Fevereiro de 1992

Sinopse
Dylan Dog é contratado por um ex-matador de aluguel chamado Larry Varedo com o objetivo de encontrar um homem com quem ele havia assinado um insólito contrato de trabalho várias décadas antes, mais especificamente em 1945. Durante as investigações, Dylan percebe que há algo demoníaco no mistério por trás da história, e que os envolvidos não são exatamente o que parecem ser.

Crítica
Já é fato conhecido que em praticamente todas as aventuras de Dylan Dog podemos encontrar reviravoltas e elementos surpresa. Nesta edição, porém, Sclavi parece ter levado essa lógica a outro patamar de imprevisibilidade. Durante toda a leitura nos acompanha a sensação de que nada do que está sendo mostrado corresponde ao que é realmente, e mesmo quando achamos que entendemos algo, essa impressão dura umas dez ou vinte páginas, no máximo, para então uma nova informação adicionada ao intrincado quebra-cabeça da investigação nos mergulhar novamente nas dúvidas e no estranhamento.

Conforme o próprio título da história e a ilustração da capa já indicam, boa parte do mistério se sustenta na desconfiança de que algum personagem da trama seja uma representação do demônio, e essa expectativa é constantemente subvertida até o esclarecimento final.

Além da complexa investigação, digna de um bom thriller cinematográfico, o que mais me chamou a atenção foi a constatação de que, assim como o escritor Alfredo Castelli demonstra ter muito conhecimento de História, Antropologia e Mitologia para desenvolver suas aventuras sobre Martin Mystère, Tiziano Sclavi, por sua vez, evidencia aqui seu embasamento no Ocultismo, sendo que, para os conhecedores, é fácil encontrar referências às ideias expostas em obras de autores como Eliphas Levi, McGregor Matters e até Allan Kardec. Eu diria mesmo que, a partir dessa edição, o roteirista começa a levar as histórias de Dylan Dog (algumas delas, pelo menos) a outro nível, transcendendo a mera fantasia de terror e suspense para explorar reflexões esotéricas de natureza mística.

Entre os pontos de destaque, gostei da atmosfera lúgubre e desesperançada da Londres pós Segunda Guerra Mundial, exposta no flashback inicial, da hilária cena do Groucho na cadeia e do desfecho da trama, surpreendente e bem elaborada.

 Os desenhos de Gustavo Trigo provavelmente sejam os mais simplórios dentre os diferentes artistas que ilustraram as várias edições até aqui, nada acrescentando além do convencional.

Em resumo, essa parece ser uma aventura que evidencia muito bem algumas das razões pelas quais o Investigador do Pesadelo tenha adquirido a aura cult que o acompanha até hoje, sendo que a cada edição vai ficando mais claro que se trata de algo que vai muito além de um simples gibi de terror.

Classificação

 André Bozzetto Jr
Graduado em História e Mestre em Letras, tem como um de seus hobbies colecionar histórias em quadrinhos. É fã dos personagens clássicos da Sergio Bonelli Editore, em especial de Dylan Dog, o Investigador do Pesadelo.

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