20-03-2015

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Depoimento: como caí no vicio, tentei me livrar mas acabei caindo em tentação

colunista_RobertoFreitasEstou aqui para confessar meu vicio! Sou viciado em quadrinhos (ou em colecionar HQ)! Venho dar meu depoimento para que o mesmo não aconteça com vocês!!!

Ei criança… psst… você quer ler alguns quadrinhos?

O principal agente de qualquer vicio é o corruptor que nos pega em tenra idade, ainda influenciáveis. No caso dos quadrinhos é o famigerado dono de banca de revistas. Ele age impunemente até hoje, nem mesmo toda a tecnologia digital conseguiu tira-lo das ruas. Este mestre na arte de atrair os olhares de crianças sempre coloca as revistas de super-heróis de roupas coloridas e promessas de batalhas terríveis para atrair os meninos. E revistas de meninas dentuças e gulosas para atrair as meninas.

Eu fui um deles! Com apenas cinco anos, cai na cilada de ficar atraído por uma capa com um moleque com roupa vermelho e azul, olhos brancos e símbolo de aranha no peito sendo preso por um cara malvado de 8 braços mecânicos. Enchi tanto a paciência de minha mãe, que ela acabou comprando, sem saber das consequências. Em casa devorei aquelas paginas, delirando com as poses do herói, pulando entre os prédios com uma corda que saia de suas mãos. E eles ainda safadamente fizeram com que o herói não fosse um adulto, mas um garoto com quem eu pudesse me identificar. E aqueles balõezinhos cheio de rabiscos. Enchi tanto o saco de minha mãe que ela teve que me ensinar o que era aquilo. Acabei alfabetizado pelo Aranha!! Não por uma escola convencional, com uma cartilha que me ensinaria as coisas da maneira correta, sem criar a dependência que teria daquelas revistinhas depois disto. E eu passei a querer todas, a do homem na armadura dourada, a do monstro verde, a do orelhudo de asinhas no pé, do homem de escudo. Até daquele outro de capa com cara de morcego que andava com um menino como ajudante. Mas meu amor maior era do cabeça de teia, tão errado e azarado como eu. Pobre de mim. Se tivesse parado só nas revistas…

Comecei a atacar o jornal do meu pai antes dele para devorar as tirinhas: uma pagina inteira delas! Historias de detetives, homem das selvas, justiceiros mascarados com anel de caveira, um caipira com mulheres lindas e um bichinhos brancos. Fiquei incontrolável e comecei a juntar um monte de revistas. Ai lançaram aquela revista em formato grande: O GIBI. Ai a coisa ficou séria e minha mãe achou que a única saída era aproveitar a mudança de cidade e jogar tudo fora!

Casa nova, vida nova, sem revistas. Mas ai foi só passar na banca (sempre elas) e lá estavam as revistas, agora em formatinho. Inclusive ele o velho amigo da vizinhança. Minha mãe caiu na conversa de que agora não ia ocupar muito espaço, e lá comecei eu de novo.

Mas ai veio a faculdade, namoradas. O vicio parecia coisa esquecida, adormecida. A não ser alguns lançamentos de um tal de Guido Crepaux, Manara, Veyron (se é que vocês me entendem). Depois veio casamento, filha e isto pareceu superado. O vicio achou abrigo nas mais respeitáveis coleções de discos e filmes.

Mas ai… de novo passando por uma banca (ate em shoppings tem estes antros de perdição) me deparei com uma Biblioteca Histórica Marvel e, pra variar, do velho cabeça de teia. Mesmo tendo o formatinho, me deu vontade de reler. Pronto, tinha recaído! E não parou ai, comprei todas: do grupo de mutantes, do bando de heróis do velho quarteto. E me deu vontade de saber como andavam estes heróis depois de tantos anos. E descobri o universo virtual, potencial muito maior de perdição, com seus livros do tamanho de ônibus com milhares de edições encadernadas. E publicações de todos os gêneros e países. Os quadrinhos se tornaram virais e agora abrangiam todo o espectro antes restrito a literatura convencional. Centenas, milhares de títulos! E eu querendo todos eles!!! Socorro, alguém me ajude….

colunista_RobertoFreitas
Roberto Freitas Soares
Viciado em HQ desde a infância, ainda fugindo do Rehab.

3 comentários em “Depoimento: como caí no vicio, tentei me livrar mas acabei caindo em tentação

  1. Bom dia. Suas lembranças e impressões sobre esse fantástico universo das hqs também em certa medida, são as minhas. Meu primeiro contato foi num banca de revistas usadas dentro dum mercado municipal. Rolava muito aquelas trocas 2×1,pois só assim consegui ler edições que tinham sido lançadas anos antes pela ebal, rge e da abril . testemunhei inúmeros arcos de histórias e sagas emblemáticas e outras controversas…..mas nunca abandonei o colecionismo. Pois quadrinho bom não tem bandeira e nacionalidade. Vide os artistas do nosso país( como não lembrar de nomes como o do Flávio Colin, Eugênio collonese….) E quanto ao amigao da vizinhança e ou cabeça de teia,você deve se lembrar duma hq curta dele,com o título “o garoto que coleciona homem – aranha “.

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