12-04-2015

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Como começa uma paixão?

Paixões são, geralmente, inexplicáveis.  Elas também têm formas e efeitos diferentes em cada um de nós e, dependendo do foco, intensidade e do autocontrole de cada um, ela pode até se tornar uma doença.

Eu sou um apaixonado pelos Quadrinhos e, confesso, sou doente. Sou intransigente também… Não consigo compreender como alguém pode não gostar de quadrinhos. Como algo que pra mim é extremamente fascinante, envolvente e viciante, pode não agradar alguém, pelo menos um pouco que seja? Talvez a forma como tudo começou para mim, nesse mundo das HQs, tenha muito a ver com isso.

Minha paixão começou há muito, muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante… Não, pera…  foi só há muito tempo atrás…  Tanto tempo que não me lembro. É sério, não lembro de praticamente nada da minha infância… dos meus 13 anos para trás é tudo uma colcha de retalhos de pequenas recordações que não consigo sequer sequenciar (eu disse que sou doente). Mas sei que tudo começou com umas revistas Disney sem capa e faltando folhas que meu irmão me deu. Dentre elas tinha um Mickey, isso eu lembro bem. Não sabia ler, mas é óbvio que enchi a paciência dele para ler pra mim. Depois disso fiquei babando em cima daquilo e não descansei enquanto não consegui ler, sozinho o que estava rabiscado naqueles balõezinhos.  Não posso dizer que fui alfabetizado pelos quadrinhos Disney, mas eles certamente foram um imenso incentivo para que isso acontecesse de forma bastante rápida.

111 Logo que aprendi mesmo a ler, ganhei a minha primeira revista de verdade. Foi um Almanaque Disney que meu irmão me deu.  Logo de cara com uma história do Carl Barks (coisa que só fui saber muitos anos depois) com o Donald caçando borboletas. Aí não teve mais jeito. Eu estava absolutamente fisgado pela paixão.  Era uma época fantástica para os quadrinhos Disney no Brasil, com Barks jorrando nas bancas, Paul Murry com seu Mickey detetive, Tony Strobl em seus bons anos de histórias simples e divertidas, os estúdios da Editora Abril produzindo de vento em popa e os italianos começando a despontar com boas histórias (sim, eu gosto de HQ Disney italiana, mas não de todas, não sou tão doente assim, hehehe).

Fui ganhando, aos poucos, mais algumas edições do Almanaque Disney, Disney Especial, Mickey e Pato Donald e as devorava com um apetite assustador.  Infelizmente era difícil ganhar uma edição nova, pois a pobreza era realmente dolorosa naqueles tempos, mas eu remediava isso relendo duzentas vezes cada história das que conseguia.

Por alguns anos eu só lia Disney, até que numa bela tarde meu irmão (lá ele de novo!) me joga no colo o primeiro número de Secret Wars – Guerras Secretas.  Li por mera curiosidade.  Pronto, estava feita a desgraça. Não descansei enquanto não consegui a série toda. Me apaixonei logo de cara pelos X-Men (eu era pequeno e magrela e me identifiquei com aqueles heróis “incompreendidos” imediatamente).

Depois que terminou a mini-série, fui atrás de material dos mutantes e logo estava comprando  Superaventuras Marvel sempre que podia. A primeira foi a #60 com seu título impactante “Quando Rapina voa… Rapina mata!” ainda me lembro do coração disparado ao ler isso e ver o Colossus no chão ensanguentado (naquela época eu 222acreditava que personagens podiam morrer… vejam só que coisa).

Até que achei uma daquelas histórias “Grandes Momentos Marvel” no Capitão América #98 (só soube porque tinha o Ciclope enfrentando um sentinela na capa). Aí, li a história do Capitão também, já que estava na mão e a “saga” dele contra o Caveira Vermelha me cativou na hora. Lá fui eu comprando Capitão também. E assim, sucessivamente, fui conhecendo e me apaixonando pela Marvel toda.

Mas a dupla paixão durou pouco. Até ali só lia Disney e Marvel (olha que coincidência), mas isso mudou quando li Grandes Heróis Marvel #9, onde os X-Men atuam junto com os Novos Titãs… e lá vamos nós a caça de histórias dos X-Men da DC (alguns DCnautas certamente vão me matar depois dessa).

E, cada vez que lia outras histórias, a paixão ia se tornando maior: Asterix, Garfield, Hanna Barbera, Chiclete com Banana, Tex, Mônica, Recruta Zero, Fantasma, Graphics Novels…  Foram inúmeras descobertas, mas o meu mundo explodiu quando conheci a Itiban (loja especializada em quadrinhos de Curitiba) com seus quadrinhos importados. Fiz logo “assinatura” dos dois títulos dos X-Men e consegui comprar o encadernado com a morte do Super-Homem (era assim que chamavam ele, sabiam? hehehe) logo depois de sair nos states. Me senti nas nuvens e os quadrinhos importados entraram definitivamente para meu rol de querências.

Por muitos anos fui rato de sebo. Morar em Curitiba ajudou nesse quesito, pois sempre teve muitos (e bons) sebos por lá. Eles ajudaram muito, pois a grana sempre foi curta e eram tempos onde sebo vendia gibi barato. Hoje, cada vez mais, eles estão se elitizando e usando o maldito Mercado Livre pra “balizar” seus preços, fazendo com que andanças pelos sebos percam muito da sua graça. Mas esses sebos (e uma esposa extremamente compreensiva, mas isso é tema para outro post) me permitiram conquistar uma coleção bem razoável (que tento expandir ao infinito e além).

Essa paixão por quadrinhos, é bem verdade, traz alguns problemas com ela, principalmente financeiros e logísticos. Todo colecionador sofre com edições que não consegue comprar e para guardar aquelas que consegue. Eu sofro mais com as que não consigo comprar… são tantas…

Mas ela também traz muitas alegrias e já me fez passar por muitas experiências fantásticas ao longo dos anos, me levando a conhecer muita gente boa em todos os cantos do país (e até fora dele), principalmente com a chegada da internet. Mais recentemente, com os eventos que vem proliferando em Terra Brasilis, essas experiências e o número de amigos vêm aumentando muito, fazendo com que essa minha paixão fique sempre acesa e pulsante.

Mas falo a verdade quando digo que tenho dificuldade em entender porque os Quadrinhos não são tão apaixonantes para outras pessoas. Conheço muita gente que “até gosta”, mas só lê muito esporadicamente e outros, que considero até muito mais inteligentes do que eu, e que nem isso fazem. Talvez um dia eu descubra esse mistério. Quem sabe se eles tivessem  lido Barks logo no inicio do processo de aprendizagem…

Perdoai-os Pai, eles não sabem o que estão perdendo. Hehehehe.

Eu sou meio prolífico, me desculpem. Acho que já me excedi e muito nesse “papo”, mas quando falo de minhas paixões (sim, tenho outras, muitas) acabo me empolgando e falando (ou, nesse caso, escrevendo) demais.

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Claudio Juris
Colecionador apaixonado de quadrinhos (e afins), sempre a procura de mais itens para sua coleção e disposto para um bom papo sobre a nona arte.

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