09-11-2015

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Com gibi a vida é mais feliz!

A principal rua comercial na cidade de Santo André, onde nasci e morei até os meus 47 anos de idade, chama-se Coronel Oliveira Lima e há muito tempo atrás se tornou um calçadão – não passa mais carros. Na minha infância na década de 70, eu, minha saudosa e amada mãe Conceição, junto de minhas três irmãs (sou o filho caçula), íamos passear no centro de Santo André para fazer compras e nos divertir; uma das paradas obrigatórias era entrar nas Lojas Americanas: no fundo dela tinha uma lanchonete onde íamos tomar um enorme sundae de chocolate com morango… Como era gostoso!!!

Para chegar na lanchonete, a gente passava no setor de brinquedos. Imagina eu, uma criança de aproximadamente dez anos de idade, observando aqueles brinquedos maravilhosos: Autorama do Emerson Fittipaldi, Ferrorama, bicicletas e carrinhos de controle remoto que já começavam a surgir naquela época, entre outros. Meus olhos brilhavam, minha imaginação viajava no mundo da fantasia!!! Meus pais trabalhavam duro e a vida naquela época era difícil; eles não tinham condições de comprar brinquedos caros, mas como tudo tem a mão de Deus, foi desta forma que o Destino se fez presente: minha mãe num destes dias acabou comprando, depois de muita insistência minha, um brinquedo um pouco mais barato – um Forte Apache Rin Tin Tin da Gulliver!!! Eu passava horas e horas brincando e logicamente os índios sempre venciam as batalhas e invadiam o forte!!! Daí surgiu a semente que deu origem a minha paixão pelos filmes de faroeste americano e pelo meu herói dos quadrinhos Tex Willer!!!

Num destes passeios, entramos numa outra grande loja comercial na rua Coronel Oliveira Lima chamada Nipon e dei de cara logo na entrada com uma pequena estante tipo quiosque com várias revistas; eram num formato gigante, capas cartonadas e bem coloridas. Os títulos eram Mortadelo e Salaminho e Asterix da editora Cedibra e eu como era um daqueles pentelhos bem chatos, pedi para comprar algumas revistas e minha mãe acabou comprando umas quatro Mortadelo e Salaminho e umas duas Asterix.

Para quem não sabe, as histórias de Mortadelo e Salaminho foram criadas em 1958 pelo espanhol Francisco Ibáñez e falam sobre as eternas trapalhadas dos dois agentes secretos Mortadelo e Salaminho da T.I.A.(Técnicos de Investigações Avançadas) que é uma paródia da CIA americana. Salaminho é daqueles que sempre estão envolvidos com a má sorte… tudo que faz acaba dando errado, logicamente com a “ajuda”de Mortadelo, que é o rei dos disfarces, mas que ao invés de ajudar sempre atrapalha. Além deles tem o Superintendente da T.I.A. (Vicente, mais conhecido por Super), sempre mal humorado, dando as missões mais difíceis para seus ¨melhores agentes¨ resolverem, o Professor Bactério, com os seus inventos malucos que tendem a catástrofes quando caem nas mãos erradas, e Ofélia, a secretária cujo principal passatempo é estar no lugar errado e na hora errada.

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A primeira revista Mortadelo e Salaminho que li da Cedibra foi “Inferno no Zoo”. Lembro até hoje das gargalhadas e do acesso de risos que tive; eu pude perceber naquele instante que além de uma boa leitura os gibis também causavam em mim bom humor e uma sensação de bem estar!!

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Parei de ler gibis no ano de 1983, quando comecei a trabalhar e fazer faculdade e somente voltei a ler no ano de 2003, quando abri novamente meu armário depois de vinte anos, onde tudo estava guardado a sete chaves. A primeira revista Mortadelo e Salaminho Cedibra que voltei a ler foi “Contra Xapô o Pirado”.

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Eu estava na sala assistindo televisão junto de meus saudosos e amados pais Arentino e Conceição e lendo esta revista simultaneamente, quando de forma natural tive um novo acesso de risos e dei muitas gargalhadas. Meus pais nesta hora ficaram espantados e perguntaram se eu estava passando bem… rsss. Esta é mais uma prova de que os gibis não tem idade – é bom ler histórias em quadrinhos desde o primeiro ano de vida até os cento e cinquenta anos!!! A primeira cena da história já é hilária: Mortadelo, que é cheio dos disfarces, está vestido como cozinheiro e aparece um pombo correio com uma mensagem do Super com uma nova missão; aí Mortadelo diz: – “Lá vem a pomba rola mensageira do quartel general… hum! E ela traz um pacotinho… muito bem, muito bem!! O pacotinho para a mesa do chefe… e a pombinha para a panela! Ah Ah!” Mal ele sabia que a pombinha veio acompanhada de um gavião como guarda costas e ele leva a maior surra!

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Xapô é um larápio que consegue roubar uma moeda valiosa de um museu e os dois agentes tem que recuperar a moeda; ocorre que o chapéu do bandido é cheio de engrenagens e surpresas que acabam dificultando a vida de Mortadelo e Salaminho, que passam de mal a pior com diversas dificuldades para cumprir esta missão.

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No fim os dois conseguem recuperar a moeda e prender o famigerado bandido. Depois de todo este sofrimento o professor Bactério revela que a moeda não tem nenhum valor e serve apenas para colocar numa máquina de vender cigarros – onde se colocava esta moeda e saía um maço de cigarros e a moeda era devolvida. Desta forma ele fumava de graça por mais de três anos! O final você vê aqui agora:

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Outra situação bem legal e interessante era que as histórias de Mortadelo e Salaminho eram divididas por capítulos, com finais parciais muito engraçados. Isto fica bem claro na história “Contra a quadrilha do Torresmo”: no início do primeiro capítulo tem o sub título “Primeira Missão. A caça ao Metralha quase que falha!” No final de cada capítulo um bandido da quadrilha é preso e no último capítulo o bandidão chefe Torresmo vai atrás das grades.

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Com o título principal: “Ases do Humor apresenta: Mortadelo e Salaminho”, a Editora Cedibra publicou 29 números no Brasil,onde cada revista tinha uma história completa, aproximadamente entre os anos de 1974 e 1980, com os títulos e fotos a seguir:

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O SULFATO ATÔMICO
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SAFARI NA AVENIDA
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CONTRA A QUADRILHA DO TORRESMO
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TOURADAS EM MADRÍ
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O CASO DO BACALHAU
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LADRÕES DA PESADA!
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CONTRA XAPÔ, O PIRADO
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A MÁQUINA DO CONTRATEMPO
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CONTRA MAGIN, O MAGO
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COMO CAÇAR UM QUADRO
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A CAIXA DAS DEZ CHAVES
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A HISTÓRIA DE MORTADELO E SALAMINHO
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OS AGENTES DA T.I.A.
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O OUTRO “EU” DO PROFESSOR BACTÉRIO
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OPERAÇÃO BOMBA!
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OS DIAMANTES DA GRÃ-DUQUESA
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OS INVASORES
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O ELIXIR DA VIDA
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DEU A LOUCA NO CIRCO
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AS MÁQUINAS ENVENENADAS
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O ANTÍDOTO
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OS MONSTROS
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NAS OLIMPÍADAS
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OS INVENTOS DO PROFESSOR BACTÉRIO
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OMBRO, ARMAS!
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A T.I.A. CONTRA A S.O.G.R.A.
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INFERNO NO ZOO
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ESPIÕES E TRAPALHÕES
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NA COPA DE 78
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Era incrível ver uma bomba explodir na cara do Salaminho e ele ficar todo estropiado e já no quadrinho seguinte estar normal pronto para outra aventura. Estas histórias surreais conseguiam aliar o bom humor, a simplicidade e a ingenuidade sem nenhuma maldade embutida. Desta forma, posso garantir que os gibis fazem rir, o que faz muito bem para o corpo e a alma da gente, independente da nossa idade!!!


Adriano Rainho
Prezo a amizade, a honestidade e o senso de justiça entre as pessoas!!!
Aprendi com meu herói dos quadrinhos Tex Willer!

5 comentários em “Com gibi a vida é mais feliz!

  1. Pois é Adriano, você foi feliz quando colocou que os quadrinhos “nos fazem bem humorados e tranquilos”

    Conto uma história rápida: Meus pais diziam que, até os três anos, eles não conheceram criança mais levada e agitada que eu. Era um verdadeiro pesadelo para eles. Em qualquer lugar ou situação.

    Foi quando um belo dia. alguém colocou uma Pato Donald (aos três anos!), em minha mão (detalhe: tenho certeza que a capa, era do mestre Carl Barks).

    Foi como colocar água gelada em chapa quente. Conseguiram pela primeira vez acalmar-me.

    Deste tempo em diante, não parei mais. Foram cinquenta anos, colecionando gibis.

    E, em todos estes anos, foram dezenas de artistas, editoras e mais de uma centena de títulos, dando lugar a uma coleção que considero bem rara.

    Pois bem, depois de cinquenta anos, resolvi colocar minha coleção à venda (não somos eternos, certo?). Não vou deixa-la se perder, apodrecendo em um canto qualquer.

    Caso você conheça alguém que queira compra-la, vai aí meus dados:

    Walter Gomes – Belo Horizonte – MG
    Celular: 31-98748-6892
    Fixo : 31-3658-7378

    No mais, parabéns pelos belos e sensíveis artigos

  2. Bom Dia companheiro.

    Você possui exemplares repetidos que esteja disponivel para vender? Mortadelo e Salaminho.

  3. Além da Cedibra (outrora Bruguera), outra editora que chegou a editar Mortadelo & Salaminho, só que na forma de revista mensal, foi a Rio Gráfica, entre 74 e 82.

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