Biografias: Rex Maxon

colunista_ToniRodriguesOS GRANDES DESENHISTAS DE TARZAN – REX MAXON

Você já ouviu falar de um jogador de futebol chamado Brecha? Moacir Bernardes Brida era seu verdadeiro nome, mas foi como Brecha que ele se tornou profissional e construiu uma carreira consistente, passando por diversos times até chegar ao ápice quando foi jogar em um dos maiores times de seu tempo: o Santos.

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Brecha

Brecha era um bom jogador, mas não teve da torcida ou da critica esportiva da época o reconhecimento que teria tido se não fosse um pequeno detalhe em sua história pessoal: o fato de Brecha ter chegado ao Santos para substituir ninguém menos do que Pelé, quando este se retirou do futebol em 1972. E substituir alguém como Pelé é algo realmente ingrato. E as comparações sempre são inevitáveis.

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Rex Maxon

 

Pelé voltaria aos gramados alguns anos depois, ganhando os milhões que merecia e que não ganhou no Santos, jogando pelo Cosmos. Brecha seguiu jogando por mais 18 anos, em vários times, encerrando sua carreira em 1990. E você que sabe muito bem quem é Pelé, provavelmente nunca ouviu falar de Brecha.

Mais ou menos a mesma coisa que aconteceu com Brecha, aconteceu com o desenhista americano Rex Hayden Maxon, que teve o azar de substituir ninguém menos do que Hal Foster em Tarzan.

Maxon sempre é lembrado pelos fãs do personagem como um desenhista ruim, fraco, sem graça e isso não é verdade. O problema é que não era tão bom quanto Hal Foster. Mas, convenhamos, poucos desenhistas de quadrinhos eram tão bons quanto Hal Foster. Menos de dez podem entrar nessa comparação. E olhe que Maxon foi comparado com um Foster se iniciando nos quadrinhos, ainda um tanto vacilante e tolhido pelo formato.

O PERÍODO DE FORMAÇÃO

maxon.ar.livreRex Hayden Maxon nasceu em 24 de março de 1892 em Lincoln, Nebraska. Filho de um contador, Norris Hayden Maxon com a dona de casa Ellen Estella Maxon, Rex era o caçula do casal. Suas irmãs mais velhas Jessie e Lois nasceram em 1875 e 1888, respectivamente. Jessie se tornou professora e Lois uma pintora de paisagens bastante talentosa. Ambas ajudaram a treinar e incentivar o seu irmão menor para que se tornasse também um artista.

Aos treze anos, ele começou a trabalhar em uma gráfica que era responsável pelo jornal local fazendo essencialmente design gráfico para anúncios de pequenas empresas. Foi então que sua família se mudou para uma cidade maior, Saint Louis, onde, em 1906 ele começou a estudar arte na Saint Louis Fine Arts School.

maxonEm 1913, Maxon se mudou de Saint Louis para cursar o famoso Chicago Art Institute, onde foi aluno do pintor Jean LeBrun Jenkins (1876-1951), que muito o influenciou. Depois de três anos ele voltou a St. Louis para trabalhar para o jornal The Saint Louis Republic. Nas horas de folga saía pelo campo para desenhar paisagens ou fazia desenhos de modelo vivo no Pencil and Brush Club, uma entidade que congregava diversos artistas de sua região. Pouco tempo depois, foi contratado pela agência de propaganda Collier Advertising Company.

Os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial em abril de 1917 e em 05 de junho desse mesmo ano Rex Maxon se inscreveu como voluntário no Exército. Tinha 25 anos na ocasião e foi recusado por ser pequeno e magro demais. No ano seguinte se casou com Hazel Carter, que era jornalista do Saint Louis Republic, onde se conheceram. Depois do casamento, ambos deixaram Saint Louis em busca de uma vida melhor em Nova York, onde nasceram os dois filhos do casal, William em 1920 e Jeanne em 1928.

autoretratoLogo que o casal chegou a Nova York, Hazel arranjou trabalho escrevendo como free-lancer para diversas revistas da época. Escrevia de tudo, sobre tudo, de culinária a iatismo, passando inclusive por ficção. E por insistência dela junto a alguns editores, seus contos passaram a ser ilustrados por seu marido. Em pouco tempo, graças a seu grande profissionalismo e à imensa capacidade de cumprir prazos, algo raro entre os artistas da época, Maxon começou a ser chamado para ilustrar contos de diversos autores publicados tanto em jornais como o The New York Globe, The New York Evening Mail e The New York Evening Mundial, quanto para revistas de literatura popular, com histórias de diversos gêneros, voltadas com poucas exceções, para o público masculino, conhecidas hoje em dia por pulps, uma referência ao papel em que eram impressas.

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TARZAN

Como é relativamente comum na literatura de qualquer espécie, o criador de Tarzan dos Macacos, Edgar Rice Burroughs fracassou em quase tudo o que fez na vida e estava literalmente falido quando decidiu que tentaria ser escritor. Sua decisão foi baseada inteiramente no fato de ter lido uma história que julgou muito ruim num pulp e se julgar capaz de escrever algo bem melhor que aquilo. Ele escreveu uma história e a mandou para o editor da mesma revista que, para sua surpresa, comprou e publicou a história, que se tornou um sucesso imediato. Tratava-se de “Uma Princesa de Marte”, uma das histórias de ficção científica, ou de fantasia espacial mais conhecida em todos os tempos nos Estados Unidos. Depois de publicada, deu origem a uma série de outras nove, estrelando o Capitão de Cavalaria, John Carter, misteriosamente transportado para Marte, onde ganha poderes sobre-humanos graças à diferença de gravidade, possuindo uma força fora do normal e sendo capaz de dar grandes saltos pelo ar (se isso soa familiar, sim, Siegel e Schuster com certeza leram as aventuras de John Carter).

Instado por seus editores a produzir novas histórias, Burroughs criou outras histórias que também viraram séries como “No Coração da Terra”, “Os Piratas de Vênus”, “A Terra que o Tempo Esqueceu” e, a mais famosa de todas, um sucesso ainda maior do que a série passada em Marte: “Tarzan dos Macacos”, cuja primeira história saiu de forma seriada no pulp All Story Magazine em 1912 e ao ser publicada em livro em 1914, se tornou um best seller instantâneo.

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Sua primeira história publicada numa revista em 1912 rendeu a Burroughs um cheque de 40 dólares, que a principio lhe pareceu uma fortuna. Mas logo ele percebeu que o ganho com sua imaginação fértil podia chegar bem mais longe e ele tratou de se tornar sempre o titular dos direitos autorais de tudo o que escrevia, bem como de vigiar bem de perto as negociações envolvendo seus personagens. Seus fracassos empresariais anteriores tinham servido para ensiná-lo que devia tratar sua ficção não como arte, mas como negócio. E ele logo se tornou um milionário, bem como uma celebridade.

Tarzan chegou ao cinema em 1918, num dos primeiros blockbusters de que se tem notícia. O filme, estrelado por um ator relativamente popular, o grandalhão Elmo Lincoln, se tornou o primeiro filme na história do cinema americano a superar a quantia de um milhão de dólares de bilheteria. E estamos falando de dólares de 1918.

TARZAN NOS QUADRINHOS

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Na década seguinte, Burroughs seguiu escrevendo seus livros de diversas séries, que sempre eram publicados em capítulos em revistas cada vez melhores para depois serem reunidos em livros que vendiam muito bem.

Foi então que, em 1927, um publicitário de Chicago chamado Joseph H. Neebe teve a ideia de adaptar histórias de sucesso da literatura, do cinema ou do teatro para um formato relativamente novo que até então consistia basicamente de histórias infantis ou humorísticas: os quadrinhos. Mais precisamente as tiras diárias, publicadas nos jornais do país inteiro.

Neebe resolveu que iria começar sua série adaptando Tarzan dos Macacos. Para tanto, ele viajou até a Califórnia, onde Burroughs morava no suntuoso rancho que comprou e batizou com o nome de Tarzana. Burroughs gostou da ideia e começou a negociar um contrato com Neebe, em que determinava uma série de salvaguardas para seus direitos autorais, incluindo poder de veto sobre os desenhistas e a exigência de anonimato dos escritores responsáveis pelas adaptações. Burroughs era duro na queda e a negociação com Neebe durou muitos meses com muitas viagens entre Chicago e a Califórnia. Durante essa etapa, Neebe conseguiu o interesse do Metropolitan Newspaper Syndicate que iria pouco depois se fundir com uma distribuidora de produtos de imprensa mais antiga (a palavra “syndicate” se refere a estes serviços): a United Features Syndicate.

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Finalmente, assinado o contrato, ficou acertado que Burroughs e Neebe dividiriam 50% do lucro obtido com a venda para os jornais, dividindo meio a meio; que Burroughs teria poder de escolha e veto sobre os profissionais de arte e texto contratado para a produção da tira, bem como a supervisão do texto; que Neebe seria o responsável pelo pagamento destes profissionais e que a United teria poder de veto sobre a arte, o texto, arcaria com todas as despesas gráficas e as relativas à equipe de vendas, mas que ficaria com 50% dos lucros.

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Logo, Neebe tratou de procurar alguém para escrever e desenhar a série. Apenas o nome do primeiro escritor escolhido para adaptar Tarzan para a nova mídia é conhecido: R.W. Palmer. Nada mais se sabe sobre ele. Para desenhar a história, Burroughs havia indicado o grande ilustrador J. Allen Saint John, que ilustrava seus livros, mas ao ser informado do volume de produção e dos prazos, este declinou.

Neebe então se lembrou de um desenhista publicitário muito bom que conhecera numa agência de Chicago, Harold Foster, que por acaso estava precisando da grana e topou. A série, que estreou em 07 de janeiro de 1929, consistia de cinco grandes blocos de texto encimados por uma ilustração. Não era exatamente a mesma coisa que os quadrinhos cômicos que já eram publicados, onde já havia balões para os diálogos e recordatórios – era mais como uma história ilustrada quadro a quadro e que dava um trabalho danado. Para piorar as coisas, R. W. Palmer frequentemente atrasava suas entregas e Foster era obrigado a cuidar do texto ele mesmo. Foster odiou fazer esse trabalho, se achou mal pago pelo total de 300 quadros e tão logo a história se aproximou de seu final tratou de avisar a Neebe que cumpriria o contrato, mas não faria outra história.

Ao contrário do que Neebe e Burroughs imaginaram, a série não foi um grande sucesso entre os editores. Apenas 13 jornais a compraram e a adaptação do segundo livro “A Volta de Tarzan”, talvez não saísse se não tivesse acontecido da editora Grosset and Dunlap comprar deles os direitos para publicação em livro da história, que se tornou um best-seller e deixou Foster ainda mais zangado, pois ele não viu um centavo dessa grana. Com o sucesso da adaptação em livro, a United resolveu continuar investindo, mas tomou algumas providências.

autoretrato.com.tarzanUma delas foi contratar um editor, George Carlin, que se tornou o responsável em cuidar das adaptações do texto dos livros.

Quanto à arte, também foi a United que ao saber que Foster não voltaria à série, sugeriu o nome de Rex Maxon, que naquele momento fazia parte de seu staff de desenhistas. Ele seria pago por Neebe, mas trabalharia sob a supervisão de Carlin.

Burroughs não gostou nem um pouco dos desenhos de Maxon, mas percebeu que estava lidando com um grande syndicate e sabendo que tinha muito mais a ganhar com isso do que a perder, recuou sob a pressão da United.

Assim, em 10 de junho de 1929, Rex Maxon estreia sua longa jornada desenhando o homem-macaco com a adaptação do segundo livro de Burroughs, “A Volta de Tarzan”. De inicio seus desenhos eram bastante vacilantes, mas aos poucos ele foi melhorando e impondo um estilo gráfico seguro. De forma alguma ele podia ser comparado a Hal Foster, mas o fato é que naquele formato reduzido, com a impressão precária dos jornais da época, seus desenhos menos detalhados e mais estilizados tinham um resultado de reprodução melhor que os de Foster e os editores de jornais elogiaram muito esse fato, calando os protestos de Burroughs por algum tempo.

O sucesso da tira se consolidou e cada vez mais jornais se interessavam por ela quando a United percebeu que talvez fosse o caso de produzirem uma página dominical de Tarzan. Neebe e Burroughs acharam a ideia ótima, mas havia um problema.

As tiras diárias de jornal eram voltadas para o público adulto, daí o sucesso de uma adaptação direta dos livros, com grande volume de texto. Mas os suplementos de domingo, coloridos, eram voltados para a família toda, atingindo também as crianças e eles temiam que aquele formato tivesse pouco apelo junto a elas.

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Decidiram que as histórias seriam inéditas, escritas por autores anônimos, supervisionados por Carlin, ou por ele próprio. E que deveriam ser mais leves, mais visuais, aproveitando a impressão colorida em grande formato. Como em time que está ganhando não se mexe, a United não viu nenhuma razão para outro desenhista assumir o trabalho e assim, em 15 de março de 1931, estreia a página dominical colorida de Tarzan, com desenhos de Rex Maxon.

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Quando viu o material impresso, Burroughs estrilou. Ele realmente não gostava nem um pouco de Maxon. E, se concordava que nas tiras seu trabalho era adequado, achava que de forma alguma ele era o artista indicado para as histórias de domingo. Vendo o trabalho, percebe-se claramente que era pura birra do autor de Tarzan. O desenho está longe de ser uma maravilha, mas é limpo, claro e Maxon demonstra grande preocupação em mostrar o que acontece na trama de forma cristalina.

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Como não se pode ganhar todas, desta vez a United resolveu ceder e, por um acaso do destino, neste momento os negócios não iam nada bem para Harold Foster.

Precisando de trabalho, ele voltou à série por pouco dinheiro, mas desta vez em grande formato e com quase total liberdade criativa, já que não estava preso aos livros. Mas isso é uma história para ser contada num outro dia. Rex Maxon desenhou a série de domingo apenas até setembro de 1931, num total de apenas 28 capítulos desenhados.

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Maxon seguiu desenhando Tarzan a partir de adaptações dos livros feitas pelo mesmo R.W. Palmer, desta vez supervisionado de perto por George Carlin, que escrevia a série dominical, além de ser o editor das tiras e das páginas.

Algumas histórias foram adaptadas por Dan Garden, sempre de forma anônima, pois Burroughs só permitia aos artistas que assinassem. Assim, se seguiram “O Filho de Tarzan”, “Tarzan, o destemido”, “Tarzan, o terrível” e demais adaptações dos livros até dezembro de 1935, quando Maxon, vendo a fortuna que a United, Neebe e Burroughs estavam fazendo com a série, resolveu pedir um aumento.

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A United concordou a princípio e, mesmo não gostando do trabalho, Burroughs não se opôs. O problema foi com Neebe, que a essa altura já tinha vendido boa parte de sua sociedade para a United e não achou que Maxon merecia ganhar mais do que já ganhava, até porque, era ele quem tinha que pagá-lo.

Desgostoso com isso, Rex Maxon resolveu deixar a tira e foi substituído por um outro desenhista oriundo dos pulps, William Juhré, que assumiu a série nas tiras diárias a partir de 22 de junho de 1936.

Juhré, sobre quem falaremos mais em outra ocasião, era um desenhista muito bom – Burroughs gostou muito da substituição. Na ocasião, os livros de Tarzan a serem adaptados já estavam muito próximos do último que Burroughs escrevera e para “economizar” argumentos a United sugeriu que Juhré começasse seu trabalho a partir de uma adaptação do seriado de cinema “Tarzan e a Deusa Verde”, produzido por Burroughs, estrelado por Herman Brix (campeão olímpico, como Johnny Weissmuller) e que foi um grande fracasso de público. Nos quadrinhos a história se chamou “Tarzan e a Deusa Maia”.

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Seguiram-se mais duas adaptações de contos de Tarzan esticados, mas cerca de um ano e meio após haver estreado em Tarzan, William Juhré deixou a série, por conta de cancelamentos de vários jornais que não gostavam de seu trabalho e reclamavam. Juhré desenhava bem, mas as cenas que compunha não continham tanta ação quanto os leitores esperavam. Ação que nunca faltou nos desenhos talvez inferiores de Rex Maxon.

Por essa época, a esposa de Maxon, Hazel Carter Maxon havia se tornado uma celebridade radiofônica, com um programa sobre culinária e continuava a escrever para diversas revistas sobre os mais variados assuntos. No período em que deixou de desenhar Tarzan, Maxon se voltou com força total aos pulps, que não pagavam muito, mas garantiam um fluxo constante de trabalho para ele. Na verdade, ele nunca os havia deixado quando começou a desenhar Tarzan, apenas, para evitar problemas com a United, passou a assinar seus desenhos com diversos pseudônimos como “R. Hayden”,”M”, “R.M.”, “R. Morton” e até “R. Manning”, uma coincidência e tanto com o nome de outro grande desenhista de Tarzan, bastante posterior, Russ Manning.

Com a saída abrupta de Juhré, tanto Neebe quanto Burroughs não se opuseram quando a United decidiu que traria Maxon de volta, ainda mais quando souberam que Hal Foster havia elogiado o trabalho de Maxon nas tiras. Mas, como estava faturando com os pulps e com um suporte financeiro bastante considerável graças aos trabalhos de Hazel, Maxon disse que só toparia voltar por um salário melhor. Pediu o mesmo que ganhava Foster e foi atendido sem muita discussão. O que ele não sabia é que Foster se achava bem mal pago em Tarzan e a essa altura já estava para deixar a série e a United pelo Principe Valente e a King Features Syndicate, a maior distribuidora de serviços de imprensa dos Estados Unidos. Mas isso é outra história.

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Maxon reestreou em Tarzan a partir de 17 de janeiro de 1938 e em 1939 a tira mudou seu formato, abandonando o texto embaixo do desenho e passando a seguir o formato padrão de outras tiras de jornal. Outra mudança importante, já na década seguinte, foi a introdução de histórias inéditas nas tiras com o final da obrigatoriedade de adaptar os livros de Burroughs. Isso se deu inclusive por conta da produção mais escassa do autor de Tarzan, que apesar de ainda bastante ativo, já não era mais tão produtivo quanto costumava ser.

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Maxon continuou desenhando o rei das selvas até ser substituído por Dan Barry em setembro de 1947. Desta vez, Maxon foi demitido por uma nova diretoria da United Features que queria renovar a imagem do personagem e achava os desenhos de Maxon antiquados. Joseph Neebe já não tinha mais nenhuma parte no negócio e Burroughs, como era de se esperar, não teve nenhum problema com a demissão.

OUTROS QUADRINHOS

Ao deixar de vez Tarzan, Maxon seguiu desenhando para os pulps que a essa altura já eram publicações em via de extinção. Mas muitas das editoras de pulps haviam se tornado editoras de um outro tipo de publicação bastante youngHawkpopular, as revistas em quadrinhos, e nelas, Maxon conseguiu um certo espaço desenhando principalmente histórias de faroeste avulsas. Foi para uma dessas editoras, a gigante Dell Comics, que Maxon criou uma série que era publicada como complemento nas revistas do Lone Ranger, conhecido dinossauriacomo Zorro no Brasil. A série se chamava Little Bear e narrava as aventuras de um índio da tribo Mandan. Essa série não durou muito tempo, na verdade ela evoluiu e se transmutou em uma outra que se chamava Young Hawk, que narrava as aventuras de dois índios da tribo Mandan (Young Hawk e Little Buck) em peregrinações pelo território americano antes da chegada dos homens brancos. No Brasil, ambas as séries foram publicadas parcialmente, como complemento da revista Zorro, a partir de 1954, sendo os personagens chamados aqui de Pequeno Urso, Falcão Ligeiro e Pequeno Alce.

Foi por causa de sua habilidade desenhando os índios de Young Hawk que Maxon foi chamado pelos editores da Dell (e também escritores), Paul S. Neuman e Matt Murphy para desenhar outra série estrelada por dois amigos índios, que, numa época pré-colombiana vivem aventuras num vale perdido, Turok #58 a habitado por dinossauros e tribos de homens das cavernas. O ano era 1954, a série se chamava Turok, o filho da pedra, personagem que muita gente só conhece dos videogames. Turok foi um sucesso, mas Maxon desenhou pouco essa série, tendo sido logo substituído por Ray Bailey, Bob Correa, Bob Fujitani e pelo principal desenhista envolvido com ela, o italiano Alberto Giolitti, que a desenhou de 1962 até ela ser descontinuada já no final da década de 1970.

Rex Maxon continuou ativo na sucessora da Dell, a Gold Key Comics, durante toda a década de 1960, mas por conta da idade, preferia se dedicar a histórias complemento, como Young Hawk ou séries de uma única Turokpágina como Dinossauria. Hazel continuava a ser uma articulista bastante requisitada e isso levou o casal a se mudar para Londres em 1969. Maxon a acompanhou e passou a se dedicar à pintura de paisagens, abandonando de vez os quadrinhos e ilustrações. O casal retornou aos Estados Unidos em 1972, perto de Boston, onde Rex Maxon veio a falecer no ano seguinte, em 25 de novembro de 1973, aos 81 anos.

NO BRASIL E NO MUNDO

Todas as histórias de Tarzan desenhadas por Rex Maxon foram publicadas no Brasil desde os tempos do Suplemento Juvenil, passando pelo Globo Juvenil e em jornais, como O Globo do Rio de Janeiro. As séries de faroeste, como foi dito acima, foram publicadas parcialmente pela Ebal, bem como a primeira história de Turok que saiu como história-complemento na revista Tarzan. Esse padrão de publicação foi mais ou menos o mesmo em outros países e Rex Maxon foi quase que totalmente esquecido, eclipsado por desenhistas melhores do que ele que trabalharam nas histórias do homem-macaco ao longo dos anos. Tirando uma ou outra edição nostálgica, como as da House of Greystoke nos anos 1960, seu trabalho nunca foi republicado nos Estados Unidos ou em outros lugares do mundo onde existem fãs de Tarzan. Mas hoje você pode apreciar boa parte dele no site www.erbzine.com .

Num mundo mais justo, Rex Maxon seria reabilitado da fama de mau desenhista, que ele não merece de forma nenhuma. Como eu disse no começo deste texto, ele teve foi muito azar ao ter seu trabalho comparado ao de Hal Foster. Uma pena.

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Toni Rodrigues
Sempre gostou dos quadrinhos e daqueles que os fazem.

5 comentários em “Biografias: Rex Maxon

  1. Excelente trabalho biográfico. No final , tem o sabor de quero mais.Parabéns e obrigado por divulgar esse mito do desenho em quadrinhos.Valeu e muito !

  2. ótima matéria, de alguém que conhece muito. Sempre é bacana ter acesso à essas informações, para aumentar nosso conhecimento.

  3. Ótima matéria. Eu não conhecia os desenhos de Rex Maxon. Conhecia os de hal Foster, Burne Hogart, Joy Kubert, Russ Maning, e outros, sem falar dos desenhos que conheço mas não sei quem é o autor.

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