10-04-2015

Por

Biografias: Doug Wildey

OS GRANDES DESENHISTAS DE TARZAN – DOUG WILDEY

Outro dia, ouvi meio por alto alguns jovens conversando numa livraria. Por alguma razão, não sei qual, estavam falando de Tarzan, o que me chamou atenção por ser um dos meus personagens favoritos. Estavam falando que gostavam do personagem quando eram pequenos, mas que agora não achavam mais grande coisa e foi aí que me dei conta que estavam falando da única versão de Tarzan que conheciam, o Tarzan da Disney.

Pois é, para quem nasceu nos últimos 20 anos, Tarzan é da Disney. Não que eu ache que é uma adaptação ruim, todos sabemos que já houve no cinema versões bem menos fiéis ao personagem de Edgar Rice Burroughs e muitas delas fizeram bastante sucesso mesmo assim. O que me incomoda é que nenhum daqueles jovens conheceu o Tarzan dos livros, a ótima série animada da TV, alguns grandes filmes, uma boa série de TV e, nosso assunto aqui, o Tarzan do quadrinhos.

O fato é que, entre todas as mídias por onde o personagem passou desde sua estreia nos pulps em 1914, provavelmente a mídia onde foi mais bem tratado, onde houve mais fidelidade ao que ele era para seu autor, tenha sido as histórias em quadrinhos. Vejam: a primeira história de Tarzan transposta para os quadrinhos era também a estreia nos quadrinhos de um dos maiores desenhistas de todos os tempos, Harold Foster. E a ele se seguiram uma grande quantidade de grandes desenhistas que fizeram a delicia dos fãs ao longo do tempo e que merecem ser relembrados por aqueles que os conhecem ou conhecidos pelos que nunca tiveram essa chance. Por conta disso resolvi começar esta coluna que trata de biografias de personalidades ligadas aos quadrinhos (desenhistas, escritores, editores, coloristas, letristas, etc) apresentando os desenhistas de Tarzan.

A princípio, eu tinha imaginado algo em ordem cronológica, mas pensando bem, acabei preferindo começar por aqueles que são menos conhecidos do grande público ou que são conhecidos, mas não por terem desenhado as aventuras do homem-macaco. O que é exatamente o caso do nosso biografado de hoje.

DOUG WILDEY & TARZAN

Wildey.retrato.1Douglas S. Wildey nasceu no dia 2 de maio de 1922 na cidade de Nova York. Começou a desenhar ainda na infância usando giz de várias cores em todas as calçadas e muros que encontrava vazios. Nunca teve nenhuma orientação formal e se orgulhava de seu autodidatismo. Era um leitor habitual dos quadrinhos de jornal, como todos os garotos de sua geração, mas nunca pensou em trabalhar com isso, na verdade queria ser mecânico.

Tinha paixão por automóveis e aviões, algo compartilhado também por vários garotos da mesma idade cujo herói máximo da vida real era um piloto, Charles Lindenbergh. Graças a essa paixão por motores, carros, aviões, não perdia um número da legendária revista Popular Mechanics, virtualmente lotada do trabalho de grandes ilustradores, a maior parte deles, anônimos. Outra de suas paixões de infância eram os filmes de faroeste, especialmente os de Tom Mix e, apesar de ser um garoto de Nova York, sabia absolutamente tudo o que era possível aprender sobre a vida dos cowboys em revistas de pulp-fiction como Dime Western Magazine e Thrilling Western Stories.

Wildey.Street.and.SmithQuando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, Wildey se alistou na Marinha e graças ao que já sabia de mecânica acabou sendo mandado para uma base aérea no Havaí. Foi durante sua estadia lá que seus desenhos feitos nas horas vagas chamaram a atenção do oficial responsável pelo jornal da base e ele foi convocado a estrear como cartunista, aos 20 anos de idade. Ao fim do conflito, já com baixa da marinha e percebendo que podia ganhar um pouco mais de dinheiro Wildey.retrato.4como cartunista do que como mecânico começou a publicar seus primeiros trabalhos profissionalmente para a Street&Smith Publications no inicio de 1947, desenhando principalmente quadrinhos de faroeste, sua outra paixão. Logo estava atuando como free-lancer para quase todas as editoras e acabou se mudando para o Arizona, onde passou a tocar um pequeno rancho entre uma história e outra, com sua jovem esposa Ellen e suas duas filhas pequenas Debbie e Lee.

Wildey.Atlas.Texas.KidA partir de 1954 começou a colaborar com Stan Lee na Atlas Comics desenhando um monte de histórias de faroeste e, de vez em quando alguma de terror ou de ficção científica. Na Atlas, seu trabalho mais conhecido foram os desenhos para 19 Wildey.Atlas.1956números seguidos do personagem The Outlaw Kid, publicado no Brasil pela La Selva como Texas Kid.

Wildey desenhou para a editora até 1957, quando houve a grande implosão da Atlas e a maioria dos desenhistas foi dispensada. Wildey, assim como John Romita, Don Heck, Russ Heath e outros desenhistas da casa, achou trabalho na DC Comics fazendo algumas histórias avulsas para títulos de mistério, faroeste e guerra como House of Mistery, House of Secrets, My Greatest Adventure e Tales of the Unexpected. Mas a verdade é que o mercado estava em crise e não havia muito trabalho para tantos talentos avulsos.

Warren.Tufts.LanceEsse cenário fez com que ele tentasse vender uma série para jornais, criada por ele, um Wildey.Quincannonfaroeste dominical chamado Quincannon of Company C, que apesar de bem desenhado, não interessou a nenhum syndicate. Mas chamou a atenção de Warren Tufts, que distribuía por conta própria sua sensacional série Lance, também um faroeste, e acabou convidando Wildey para assistente (na verdade ghost), já que achou seus estilos muito parecidos (eram mesmo).

Através de Tufts, Wildey acabou sendo indicado para Milton Caniff que usou seu trabalho em Steve Canyon durante 03 meses e Caniff acabou indicando Wildey para assumir os desenhos de uma série famosa de detetives que vivia seus últimos dias, O Santo, de Leslie Charteris, que desenhou entre 1959 e 1962, quando a série foi cancelada.

Wildey - O Santo (1959)
Wildey – O Santo (1959)

Também foi Warren Tufts quem apresentou Wildey a um outro ex-assistente seu (em outra série, Casey Ruggles) e isso viria a se mostrar muito importante na carreira de Wildey. O artista em questão era Alex Toth, que gostou muito do material que viu em Lance e pirou ao saber que Wildey tinha conseguido trabalhar com Caniff, seu ídolo, reconhecidamente muito exigente.

O fato é que nessa ocasião, Toth já havia decidido se mudar de Nova York para a Califórnia, onde ficava uma das sedes da Dell Comics (que também tinha sede em Nova York) e para quem estava desenhando diversas séries licenciadas da TV como Zorro (Disney), Além da Imaginação, 77 Sunset Strip e adaptações de filmes como A Máquina do Tempo, o Mundo que o Tempo Esqueceu e muitos outros. Vivendo em Los Angeles, Toth resolveu tentar a sorte como desenhista de Toth.Anjo.do.Espacostoryboards para Hollywood, o que pagava muito mais do que os quadrinhos, e depois de trabalhar um tempo para os estúdios Warner Bros, foi indicado para uma produtora que se preparava para começar a produção de uma nova série de desenhos animados para a TV e queria alguém que pudesse dar um look de quadrinhos nas histórias. Era a Cambria Productions, que já tinha emplacado Clutch Cargo e começava a produção de O Anjo do Espaço.

Apesar de pagar bem mais, o ritmo de trabalho na produção era insano e Toth não estava dando conta de tanto volume. Foi então que ele se lembrou de Wildey e o convidou para vir trabalhar com ele na série. Isso coincidiu com o Toth.Capitão.Fathonfim de O Santo e sem trabalho, Wildey topou, mudando-se provisoriamente para Los Angeles e viajando para o Arizona nos dias de folga, pois tinha deixado sua família lá. Três meses depois, o trabalho tinha acabado e Toth começou a trabalhar nos concepts de uma terceira série da Cambria, Captain Fathon, mas a ajuda de Wildey não seria necessária antes da produção começar.

Antes de voltar para o Arizona, Wildey resolveu bater na porta de um outro estúdio de animação que ficava praticamente do outro lado da rua de onde estava morando. Ao se apresentar na recepção com seu portfólio foi encaminhado pela secretária ao departamento de animação, onde encontrou desenhistas que conheciam seu trabalho nos quadrinhos e que, por sua vez, pediram que ele deixasse a pasta para que mostrassem ao seu chefe que não se encontrava no momento. Wildey topou, mas disse que tinha que pegar a pasta no dia seguinte, pois estava voltando para o Arizona. Naquela mesma tarde porém, ele recebeu um telefonema da mesma secretária pedindo que fosse ao estúdio logo cedo, na manhã seguinte para bater um papo com Joseph Barbera.

Pois é, o estúdio em questão era a Hanna-Barbera. Joe adorou o trabalho de Wildey e lhe perguntou se ele topava ajudá-los a montar uma apresentação para uma nova série de animação baseada numa antiga série de rádio chamada Jack Armstrong, the All-American Boy e Wildey passou alguns dias trabalhando nisso, montando uma série de desenhos para a história de um garoto que viajava para diversos locais exóticos do mundo vivendo grandes aventuras com seu tio cientista.

Joe Barbera
Joe Barbera

Todo o seu conhecimento de mecânica, aviação, velho oeste e mais o que aprendeu de Milton Caniff, que afinal de contas já tinha criado algo assim em Terry e os Piratas, vieram bem a calhar e a apresentação na emissora ABC foi um grande sucesso. Tudo parecia perfeito, mas a discussão acerca do pagamento dos direitos autorais para a General Mills, fabricante de um cereal matinal e dona do personagem empacaram tudo. Joe Barbera ficou fulo de raiva e perguntou a Wildey se ele tinha alguma solução a dar, algo tão bacana quanto aquilo, mas que não fosse nem tão diferente que desagradasse a emissora, nem tão parecido que gerasse um processo por plágio. Wildey voltou pra casa e jogando uma pitada de James Bond na história, voltou no dia seguinte com a resposta que a Hanna-Barbera precisava: Jonny Quest.

Jonny Quest foi um marco na animação para a TV, algo nunca visto até então, e Wildey conseguiu inclusive algo inédito na Hanna Barbera: ter sua própria assinatura colocada nos créditos! Foram 26 episódios sensacionais que estrearam na ABC em horário nobre em 18 de setembro de 1964, mas mesmo fazendo um sucesso imenso, a série não teve uma segunda temporada.

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O caso é que o preço de cada episódio, que consumia quatro vezes mais profissionais do que as séries clássicas da Hanna-Barbera como Os Flintstones e Manda Chuva era um impeditivo para sua produção. O máximo que a emissora topava pagar por um episódio mal dava para os gastos com a produção e a série não dava lucro nenhum.

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Mas ela abriu as portas para uma tendência que iria nortear boa parte da produção do estúdio nos anos seguintes: as séries de aventura, que acabaram por ter seu design feito principalmente por um artista trazido por Doug Wildey a principio para ajudar na produção de Jonny Quest: Alex Toth.

Como se vê, uma mão lava a outra e Toth passou os próximos anos trabalhando apenas para Hanna-Barbera, desenhando quadrinhos apenas esporadicamente para a Warren Comics ou a DC. Ele, por sua vez, traria para o departamento de produção o responsável por apresentá-lo a Wildey, Warren Tufts, que junto com Toth e Wildey trabalhou em várias séries de animação como Os Herculóides, Laboratório Submarino e Devlin, o Motoqueiro.

Ao contrário de Toth, Wildey não se fixou na Hanna-Barbera por relutar em deixar definitivamente seu rancho no Arizona. Preferia trabalhar por empreitada no mundo da animação, o que era perfeitamente possível, e ao longo dos anos trabalhou em várias outras séries para a Hanna-Barbera e também para outros estúdios. Seu trabalho pode ser visto Wildey.Namor.TVproeminentemente na série de Namor, o Príncipe Submarino, que fazia parte da famosa série de Wildey.Jana.das.Selvas.TV“desenhos desanimados” da Marvel de 1966 e que costumava filmar histórias das revistas aproveitando os desenhos de Jack Kirby, Don Heck, John Romita e Steve Ditko. Acontece que Namor, em 1966, tinha muito poucas histórias publicadas que fossem possíveis adaptar e Wildey foi chamado para produzir 11 delas, que são as únicas de toda aquela série que não saíram nas revistas. Ao longo dos anos Wildey trabalhou também em outras séries de animação como De Volta ao Planeta dos Macacos, Jana das Selvas, Godzilla, Thundarr, Homem-Aranha e seus Superamigos e como desenhista de storyboards em séries de live-action como O Incrível Hulk e Mister T.

 Wildey.Planeta.TV.2 Wildey.Planeta.TV.1
Quando não estava trabalhando em nenhuma produção, ao contrário de Toth, Wildey continuava aceitando encomendas dos quadrinhos, até porque estas ele podia fazer em casa, no seu rancho. Fez algumas histórias de terror para a Warren e embora fosse um dos artistas da casa, não foi chamado para fazer a versão em quadrinhos de Jonny Quest publicado pela Gold Key (ex Dell Comics) em um único número, o que foi feito anonimamente por um desenhista que muitos supõem ser, vejam só, José Del Bó. Mas alguns anos depois, a Gold Key o chamou para trabalhar em uma de suas séries mais rentáveis: Tarzan.

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Tarzan foi uma das primeiras séries de aventura a serem publicadas em quadrinhos e sempre foi muito bem servido por grandes desenhistas ao longo dos anos, tanto nas tiras diárias quanto nas páginas dominicais. Embora já tivesse Wildey.tarzan.2     aparecido em coletâneas avulsas em alguns comic-books, reformatando histórias dos jornais, a primeira vez que material inédito foi produzido especialmente para revistas foi na Dell Comics, para a revista Four Color número 131 no inicio de 1947. Houve ainda mais um número-teste no mesmo ano, o 161, mas a partir de janeiro de 1948, Tarzan ganhou revista própria, que seria publicada pela Dell e por sua sucessora a Gold Key, sem interrupções até 1972, quando o contrato de licenciamento passou para a DC Comics. Desde os números-teste, o mesmo time foi o responsável pela revista, a dupla Gaylord DuBois (no textWildey.tarzan.3o) e Jesse Marsh (nos desenhos). Ambos serão enfocados nesta série de biografias em breve, mas o que interessa agora é saber que ao longo dos próximos anos eles fizeram todas as histórias do personagem principal, embora Tarzan também fosse desenhado eventualmente por um grande artista que Marsh ajudou a entrar na profissão, Russ Manning, que desenhava várias histórias complementares na revista onde Tarzan não era o personagem principal. Este era um Tarzan híbrido. Nos quadrinhos de jornal, o personagem era muito próximo do Tarzan dos livros, morava numa fazenda e vivia histórias fora da selva eventualmente, pois era, apesar de tudo, um lorde inglês. Nas revistas da Dell, que eram voltadas para um público mais jovem, Tarzan era um mix do Tarzan dos livros, pois era um homem educado, com o Tarzan dos filmes, já que morava numa casa no alto de uma grande árvore como nos Wildey.tarzan.4filmes, com sua mulher Jane e o filho pequeno chamado aqui de Boy, como nos filmes, e não Korak. Tanto Jane quanto Boy, aos poucos, ganharam séries próprias, de histórias menores, feitas para complementar as revistas e estas eram as séries desenhadas por Russ Manning. Mas nas belas capas, feitas por Mo Gollub e George Wilson, com eventuais capas utilizando fotos dos Tarzans do cinema da época, Lex Barker e GordonScott, Jane e Boy raramente apareciam. O tempo passou e no inicio dos anos 1960, Jesse Marsh começou a ter problemas de saúde que foram se agravando e fizeram com que tivesse que ser Wildey.tarzan.5substituído por Russ Manning na série principal a partir de meados de 1965. Marsh viria a falecer no ano seguinte, ainda jovem, com 58 anos.

Nessa ocasião, o personagem havia mudado radicalmente nos filmes, não era mais o selvagem ingênuo e ignorante, embora nobre, retratado anteriormente. Vivia aventuras mais adultas, mais próximas dos livros. Estes por sinal, viviam um grande período de redescoberta por uma nova geração de leitores, o que se devia em grande parte às novas capas desenhadas de maneira sensacional por um artista oriundo dos quadrinhos: Frank Frazetta.

Wildey.tarzan.6Por causa desse quadro, o editor Chase Craig aproveitou a substituição de desenhistas para propor que a série tivesse uma espécie de reboot, abandonando o Tarzan que morava numa casa no alto da grande árvore e trazendo para os comic-books adaptações do Tarzan dos livros, feitas pelo mesmo Gaylord DuBois e desenhadas sensacionalmente por Russ Manning. A série começou com a adaptação do primeiro livro, Tarzan dos Macacos, na revista número 155 Wildey.tarzan.7e inaugurou também uma nova fase em que ao invés de uma história completa por revista, a editora as apresentasse em duas partes, em meses consecutivos, algo nunca antes feito pela editora e que era também uma novidade no mercado, sendo a Marvel, por necessidade, pioneira nisso. Embora DuBois seguisse anônimo, Manning foi alçado ao estrelato com esta série e, merecidamente, foi convidado pela Edgar Rice Burroughs Inc. para desenhar a série de jornal, tanto as tiras quanto as páginas dominicais a partir de 1968, quando vencia o contrato do desenhista regular da série, John Celardo, que foi assumir o posto de Diretor de Arte na King Features Syndicate. Com isso, a Gold Key precisou arranjar urgentemente um desenhista para substituir Russ Manning e foi então que entrou em cena Doug Wildey.

Tarzan.179Sua estréia foi na edição número 179, com a primeira de três partes (a única em três partes) de Tarzan no Centro da Terra (publicada no Brasil pela Ebal em Tarzan, 3ª série número 45 em julho de 1969, na lendária Coleção Lança de Prata). Sabendo muito bem como Manning era adorado pelos leitores, Wildey tratou de caprichar. Seu Tarzan, apesar de ser total e completamente diferente do de Manning é de uma força e beleza arrasadoras. Ao contrário de Manning, que conhecia o personagem há muitos anos, Tarzan - WildeyWildey não era um grande fã, porém pesquisou muito e se valeu de uma série de fotografias de um fisiculturista que fez especialmente para o trabalho, além de seu vasto arquivo de stills de filmes colhidos ao longo de muitos anos. Seu Tarzan não era estilizado como o de Manning, mas era bastante realista e sua maior força estava Tarzan.45.ebaljustamente nas composições que Wildey conseguiu e nas angulações que havia aprendido com sua experiência em Hollywood. Apesar de bastante resumidas, as histórias desta série são bastante fiéis aos livros e portanto são muito empolgantes e cheias de reviravoltas, com o personagem enfrentando mil perigos e dando espaço para grandes cenas de ação, que não foram desperdiçadas por Doug Wildey em nenhuma das 10 histórias que desenhou, sendo nove adaptadas dos livros e uma Korakespecialmente adaptada da então nova série de TV, estrelada por Ron Ely, muito bem retratado por Wildey. Nas histórias não falta espaço também para Wildey desenhar mulheres bonitas, coisa que fazia muito bem e são inesquecíveis as suas versões da Rainha La e de Jana, a Flor Vermelha de Zoran, que insistem em se jogar sobre o homem-macaco sempre que podem.

Ele fez ainda uma história para Korak (que também já não era mais Boy) publicada em parceria com seu amigo Warren Tufts que assumiu a série por um breve período.

Infelizmente, Wildey foi convidado a voltar a Hollywood para trabalhar nos storyboards de um filme e teve que ser substituído a partir do número 187 por Paul Norris, que também abordaremos nesta série.

Wildey nunca mais voltou a desenhar Tarzan, mas entre uma produção e outra em Hollywood, entre 1972 e 1975, finalmente pôde ter a sua própria tira diária nos jornais. A série se chamava Ambler e narrava as aventuras de um músico folk andarilho percorrendo as estradas dos Estados Unidos em uma moto possante e se envolvendo em aventuras em todos os lugares em que parava.

Ambler

Ambler

Depois disso, desenhou histórias do Sargento Rock e de Jonah Hex para a DC e foi convidado pela Eclipse Comics, já em 1984, para criar uma nova série.

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O resultado foi o faroeste Rio, escrito e desenhado por Wildey com dez histórias publicadas pela Eclipse e anos depois, em 1992, uma história em duas partes publicada pela Dark Horse.

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Em 1986 a Comico licenciou Jonny Quest para os quadrinhos e Wildey desenhou 04 histórias, além de diversas capas, tendo finalmente oportunidade de desenhar em quadrinhos sua mais famosa criação.

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Dave Stevens

Um pouco antes disso, em 1982, Wildey estreou como personagem de quadrinhos pelas mãos de Wildey.Godzilla.TVDave Stevens em Rocketeer. Como?

Bem, Stevens foi assistente de Wildey na produção da série animada de Godzilla para a Hanna-Barbera e uma grande amizade brotou entre os dois desde então.

Quando desenhou a primeira história de Cliff Secord, o Rocketeer, fez questão de retratar Wildey como o mecânico Peavy.

Em 1994, Wildey trabalhou na série de animação Exosquad fazendo storyboards para os 39 episódios. Nesse mesmo ano, desenhou uma história do escritor Harlan Ellison para a Wildey.retrato.3coletânea Harlan Ellison’s Dream Corridor. Era um faroeste de dez páginas em arte pintada e este foi seu último trabalho. Doug Wildey morreu em Las Vegas na tarde de 05 de outubro de 1994, de ataque cardíaco. Tinha 72 anos.

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Para alguém que trabalhou tanto chega a ser incrível que Doug Wildey seja um desconhecido pela maioria dos leitores atuais de quadrinhos. Como ele, vários outros estão num limbo que não merecem, dada a sua importância. Esta biografia é a primeira de uma série dedicada a resgatar a memória de grandes artistas, argumentistas e editores que trabalharam nesse meio de que gostamos tanto e que não merecem ser esquecidos pelas novas gerações. Até a próxima.

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Toni Rodrigues
Sempre gostou dos quadrinhos e daqueles que os fazem.