03-03-2017

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Bang Bang, Época de Ouro!

A partir do ano de 2003 quando voltei a ler e colecionar Histórias em Quadrinhos, eu tive a honra e o prazer de conhecer e de conviver com vários colecionadores da Velha Guarda, e com alguns deles comecei a cultivar uma boa amizade, onde passei horas e horas conversando sobre as HQS e os grandes Heróis dos Quadrinhos, dos tempos de suas infâncias até os dias atuais.

Descobri que nos anos 40, 50 e 60 a mania da juventude daquela época era a de ler gibis e também assistir aos filmes e seriados nas matinês do cinema – o legal era que pelo menos uma hora antes da exibição do filme, as crianças e os jovens se reuniam na frente do cinema e ficavam lendo e fazendo trocas dos seus gibis. Era uma verdadeira febre naquela época!

Neste período talvez o gênero de cinema mais famoso sem dúvida nenhuma tenha sido o de Faroeste, e é deste tema abrangente que marcou positivamente muitas gerações que irei falar um pouco agora. Darei maior ênfase como sempre nas imagens, retiradas de meu acervo particular, pois elas traduzem melhor do que as palavras as lembranças e a nostalgia daqueles tempos dourados!

Enquanto no cinema eram exibidos verdadeiros clássicos de Faroeste como os exibidos abaixo…

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…Nos Estados Unidos já eram publicadas uma grande quantidade de revistas em quadrinhos de Faroeste…

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… Duas áureas e grandes editoras brasileiras começaram a publicar na mesma época HQs de grandes Heróis do Faroeste: a Ebal de Adolfo Aizen e O Globo (que virou posteriormente Rio Gráfica Editora) de Roberto Marinho, uma concorrência editorial que rendeu muitos frutos positivos neste  universo das Histórias em Quadrinhos, reconhecidas posteriormente como a 9ª Arte da Cultura Mundial!!

Várias capas dos gibis estampavam as fotos com o mocinho que estrelava um filme do cinema, como vemos nos vários exemplos exibidos abaixo:

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Características comuns na maioria das revistas destas duas editoras, a maioria das histórias de faroeste eram curtas, no máximo doze páginas, desenhadas em preto e branco – somente as capas eram coloridas. As revistas tinham formato americano, aproximadamente 26 cm de altura por 18 cm de largura, o que valorizava os desenhos e os desenhistas das histórias!

Dois ícones deste período e que se tornaram carros chefes de vendas e ao mesmo tempo conquistaram grande admiração dos leitores mirins foram os heróis Durango Kid, pela Ebal (no Brasil suas histórias foram publicadas nas revistas O Herói, Super X, Aí Mocinho e Nevada) e o Cavaleiro Negro, inicialmente na revista Gibi Mensal e depois pela editora Rio Gráfica em revista própria, já nos anos 50, desenhado por Syd Shores, um artista influenciado pelos traços de Jack Kirby e que influenciou John Buscema. O curioso é que na verdade a editora adaptava muitas das histórias de Durango Kid para o Cavaleiro Negro. Seguem abaixo lindas capas de revistas com histórias destes dois mocinhos do faroeste americano nas Hqs:

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Leia abaixo a história completa com a origem do Cavaleiro Negro publicada na revista Gibi Mensal nº 97 da editora O Globo de abril de 1949, primeira aparição do Cavaleiro Negro no Brasil:

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E agora uma aventura de Durango Kid publicada na revista O Herói nº 98 da Ebal, edição especial de Junho de 1955:

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Nesta época os leitores gostavam de ler as histórias, mas valorizavam muito os desenhos. Vejam lindas capas desenhadas:

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Eu, sendo doido varrido no que se refere aos gibis, acho que a grande maioria dos colecionadores é um pouco louca também, rsrs. Tenho várias manias, entre elas a de colecionar números #1 – nem sempre são os mais raros, mas normalmente eles são os mais cobiçados e caros da coleção. Abaixo estão exibidas as capas de muitos números #1 de várias coleções de mocinhos do faroeste:

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Quando a revista estava fazendo sucesso, vendendo bastante, as editoram publicavam edições extras e especiais, com capas maravilhosas. Muitas vezes estas revistas vinham com mais páginas, como por exemplo a coleção de Reis do Faroeste da 1ª série da Ebal. Vejam algumas imagens abaixo:

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Mas com certeza, nada era tão aguardado nas bancas de jornal quanto os Almanaques de final de ano com a data do ano seguinte, que vinham na maioria com 100 páginas! Conversando com estes colecionadores da velha guarda pude notar o brilho nos olhos deles quando exibiam seus almanaques como verdadeiros troféus!!! Algumas desta maravilhas podem ser vistas agora:

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Outras editoras também publicaram seus heróis de Faroeste aproveitando o sucesso que este gênero fazia nesta época: Orbis, O Cruzeiro, La Selva, Gráfica Novo Mundo, Aliança, entre outras:

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Outro grande sucesso, O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger), criação de George Trendle e Fran Striker, no Brasil foi publicado no Globo Juvenil”, “O Gibi Tri-Semanal”, “Almanaque de O Globo Juvenil”, “Novo Gibi” e “Novo Globo Juvenil” e na revista “O Guri” dos Diários Associados e posteriormente na Ebal a partir do ano de 1954 em revista própria com o nome de Zorro, o que ocasionou certa confusão com o Zorro Capa e Espada criado por Johnston McCulley.

Inesquecível é o bordão do Herói: Hi-Yo Silver!!!

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Logicamente não posso deixar de citar As Aventuras de Texas Kid que eram publicadas na revista Júnior na década de 50, no formato de uma tira, talão de cheques. Na verdade era Tex Willer, meu herói dos Quadrinhos, o mocinho das histórias, já fazendo sucesso no Brasil desde aquela época. A revista da editora Rio Gráfica concorria com outros heróis juvenis como Xuxá e Pequeno Sheriff da editora Vecchi, entre outros:

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Os bons tempos das grandes produções de cinema de Faroeste estão distantes, mas personagens de quadrinhos como o ranger Tex Willer são publicados há décadas, de forma ininterrupta, por quatro editoras diferentes – Vecchi, RGE, Globo e Mythos: são mais de 45 anos no Brasil! Estas Histórias em Quadrinhos mantêm acesa a chama do Oeste Bravio.

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Dedico esta coluna especialmente aos saudosos amigos colecionadores Luiz Chicone, Cláudio Caltabiano, Antonio Roberto Lopes da Fonseca e Nilson Silva, com quem convivi e aprendi muitas coisas legais sobre Cinema e Histórias em Quadrinhos; ao amigo Antonio Samugini, um grande amante e colecionador de gibis com quem passei várias tardes conversando, me divertindo, viajando no tempo, e também a todos aqueles que vivenciaram e ainda curtem o mundo mágico das Histórias de Faroeste!!!

Bang Bang!!!


Adriano Rainho
Prezo a amizade, a honestidade e o senso de justiça entre as pessoas!!!
Aprendi com meu herói dos quadrinhos Tex Willer!

Um comentário em “Bang Bang, Época de Ouro!

  1. Tenho uma caixa de quadrinhos…. até perdi as contas das edições

    se se interessarem..trocamos ou negociamos…

    A grande parte é de Faroeste… postarei no Face qualquer dia uma foto de todas enfileiradas…

    qualquer coisa chama no Whats. (65)999613306

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