18-04-2015

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A guerra dos fanáticos pelas HQs

Começar com Mônica, passar para Disney, daí para Marvel/DC, daí para Vertigo, Graphics Novels e material adulto…É essa mesmo a evolução natural de um leitor de HQ?

Bom, comigo foi mais ou menos isso (comecei com Disney, então pulei uma etapa?), com o detalhe de que, ao conhecer um novo “universo”, não abandonei os anteriores. E sei de muita gente que fez o mesmo. Afinal, são gêneros diferentes, claro, mas gostar de um não me obriga a passar a não gostar de outro. Ter preferências por um ou por outro é normal, mas adorar os X-Men não deveria me impedir de gostar de uma história da Liga da Justiça, certo? Bom, para muitos por aí não é bem assim.

guerra

São o que chamo de leitores Xiitas (no sentido de extremistas, fique claro). Escolhem seu “lado” e defendem-no com toda a artilharia possível e imaginável, tentando minar “o inimigo” em seus pontos fracos e desdenhando de seus pontos fortes como estratégia para enfraquecê-los.

As características principais de todo extremista são a intolerância e o fanatismo. Seja ele religioso, esportista, político ou leitor de quadrinhos. Ele sempre está do lado certo e tem razão sobre tudo. Todos que dele divergirem são ignorantes que merecem ser exterminados da face da Terra e queimar no mármore do inferno (descobri que na internet são também chamados de haters, aqueles que odeiam algo ou alguém).

E não existem extremistas apenas de uma editora ou gênero… Existem extremistas de todos os tipos: de personagens, de países, de estilos, de autores, de épocas…

Quem nunca ouviu: “Quadrinho bom é quadrinho europeu”, “O Deadpool é muito melhor que o Wolverine”, “Na era de ouro é que se escreviam histórias boas, hoje só tem lixo”, “Vê se cresce, fica aí lendo turma da Mônica…”, “Alan Moore é que sabia escrever”, “O Batman derrota qualquer um” e por aí afora?

wolvFóruns de HQ, comunidades de fãs e co-relacionados, normalmente são palcos preferidos para esses malucos. Aí eles encontram farto campo de batalha e inimigos pra todo lado. Basta lançar aquele tópico bomba, tipo: “Garth Ennis é o cara”. Pronto, está armado o confronto. É só esperar e logo centenas de mensagens ou comentários daqueles que amam e daqueles que odeiam pipocam, uns defendendo, outros atacando, outros tentando ser neutros, mas pegos no fogo cruzado. Logo a baixaria se instala e fica impossível dialogar.

boomMuitas listas e comunidades já acabaram ou se esvaziaram por causa de discussões deste tipo. Eu mesmo já me envolvi em muita briga assim, mas descobri que não eram discussões, eram guerras, onde só poderia haver um lado “vencedor”. Com o tempo tenho aprendido a evitar esse tipo de coisa e mesmo caindo em algumas, uso a melhor arma que existe para esses casos, ignorar. Esquece, apaga, ignora os “combatentes” e vai ler uma boa HQ.

crashPoxa. Quadrinhos são, em última instância, entretenimento. Consequentemente, algo que deve trazer prazer para quem está utilizando/desfrutando dele. Tem gente que relaxa malhando, assistindo filmes, passeando no parque, bebendo com os amigos. Cada um tem sua maneira de relaxar. É natural que, mesmo entre as pessoas que procuram a leitura de quadrinhos como forma de entretenimento, tenhamos gostos diferentes.

powMesmo baseado em fatos e dados, gosto é gosto e isso não se discute. Ponto. Por mais que um dito especialista de quadrinhos me prove por A+B que os quadrinhos da era de ouro eram melhores e que os atuais são só variações sobre os mesmos temas, tenho todo o direito de gostar mais dos quadrinhos da era de prata, pois foi com eles que comecei minha “jornada” e obviamente eles serão, sempre, a minha referência. Assim como me reservo o direito de ter esperança de ver, no futuro, HQs ótimas de um ou outro gênero, mesmo que alguns achem que este já está saturado.

monicaPra mim é absurdo, fãs da Marvel tentando provar de todas as formas que fãs da DC são retardados e vice-versa. Fãs da Disney desfazendo de leitores da Mônica e estes usando a gringofobia para com àqueles. Fãs da era de ouro dizendo que tudo que sai hoje é lixo e fãs de hoje dizendo que HQs da era de ouro eram bestas e monótonas. Fãs do Kirby dizendo que ele é quem deveria ser venerado e tentando crucificar o Stan Lee.

Vivemos tempos de intolerância, de polaridade, de azul x vermelho, de direita x esquerda e bons x maus, mas com todos se achando os bons, enquanto maus são aqueles que discordam destes. É tanta barbárie que até o Conan ficaria assustado, aposto. E, as vésperas da estreia de um novo filme dos Vingadores, teremos novos combates de prós e contras em todas as mídias possíveis, principalmente no Facebook (o campo de batalha preferido atualmente).

Eu, particularmente, acho que uma forma de diminuir isso é ignorar conversas que preguem o ódio ou a intolerância, seja no que se refere a HQs ou a qualquer outra área de convivência. Esvaziar discussões onde a intolerância impera, me parece uma forma de relegar esses xiitas extremistas às suas cavernas, onde podem mastigar seu ódio do alheio.

Sou fã inveterado de Marvel e gosto demais da DC. Amo a Disney, mas leio muito Turma da Mônica. Vibrei com Vingadores 1 e com Homem de Aço (menos a parte de matar o Zood, mas vá lá). Odeio a maior parte dos trabalhos do Garth Ennis, mas gostei de Santo dos Assassinos e achei Apenas um Peregrino legalzinha. Gostei das primeiras histórias do Deadpool, mas hoje pulo praticamente todas. Só odeio MESMO é o Morrison. Ele matou a Jean… E isso eu jamais vou perdoar… hehehe

dupla

E aí? Tem alguma coisa que você acha realmente horrível, mas conhece alguém que curte e tenta de toda forma te convencer do contrário? Já se estressou com algum extremista? Comenta aí. Mas sem fanatismos, por favor, paz e amor sempre…

colunista_ClaudioJuris
Claudio Juris
Colecionador apaixonado de quadrinhos (e afins), sempre a procura de mais itens para sua coleção e disposto para um bom papo sobre a nona arte.

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