22-07-2015

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As 50 melhores HQs do Homem-Aranha [15 – 11]

Spider-ManClassicTodo mundo se debulhou em lágrimas com a seleção da postagem anterior. Não é pra menos, colocar no mesmo grupo “O Menino que Coleciona Homem-Aranha”, “O Confronto Final” e a história da morte do Capitão Stacy, é pra sangrar o coração de qualquer marvete (putz… acho que não usava esse termo desde os tempos do Conclave).

Um tópico curioso levantado entre o pessoal da lista Gibilândia é, se entre as 15 histórias restantes, constaria mais alguma do roteirista Roger Stern – um dos autores mais queridos dos leitores. “Acredito que pelo menos mais duas. E uma delas será com dobradinha família nos desenhos”, garantiu meu chapa, e colaborador do Almanaque Meteoro, o intrépido José Borba.

E não é que o cara acertou? É só conferir adiante que há duas estupendas HQs escritas por Mister Stern, sendo que a arte de uma delas ficou a cargo de certo pai e de certo filho intimamente ligados à trajetória do nosso querido Cabeça-de-Teia.

Mas chega de enrolação. De emaranhada já basta a teia do Aranha. É hora da ação! Ação com “A” maiúsculo!

15BestSpider15ª – FINALMENTE DESMASCARADO
[Amazing Spider-Man 87]
Para muitos não passa de um drama menor dentro da continuidade do aracnídeo, todavia eu o vejo como mais um exemplo da – ultimamente tão subestimada – genialidade de Stan Lee. Até consigo imaginá-lo dizendo para Jazzy numa daquelas famosas reuniões: “No próximo número a identidade secreta do Aranha será revelada… e pelo próprio Peter Parker”. Era assim seu método de trabalho: em cima de um tópico máximo estabelecido. As subtramas vinham na esteira. Peter andava errático e febril pela cidade. Na certeza de que seus poderes desapareceriam para sempre, invade a festa de aniversário de Gwen com a máscara do Aranha nas mãos, e revela seu segredo. Foi um choque geral, e Mary Jane solta a pérola: “Uau, Gwendy! Dá até pra você escolher: ele é tanto uma ameaça mascarada como um caso psicótico. Qual você prefere?” (e anos depois ainda tivemos de engolir que a ruiva sempre soube da dupla identidade do Aranha). O rapaz some dali, e descobre que foi acometido por uma terrível gripe. Curado, pede que seu amigo Hobie Brown, o Gatuno, se disfarce de Aranha e apareça na festa de Gwen, onde Peter estará presente. Todos acreditam que os dois são pessoas diferentes, e que Peter realmente só estava delirando. Exceto, claro, o Capitão Stacy, cujo olhar desconfiado não passa despercebido de Peter. Detalhe: embora essa história tenha sido republicada no Brasil por várias editoras, a capa emblemática feita por Romita, só foi reproduzida aqui, em Homem-Aranha 33, da Bloch Editores. Justamente a edição que me apresentou essa HQ.  Autores: Stan Lee (roteiro) – John Romita e Jim Mooney (arte).

 

14BestSpider14ª – CRISE NO CAMPUS!
[Amazing Spider-Man 68]
“Qualquer um pode pode pintar um cartaz, moço! Isso não faz você ter razão”, garantiu Peter Parker. Não importa em que ano você tenha lido essa HQ pela primeira vez, 1968 sempre estará dentro de todos os anos. Uma época de crise política, de protestos estudantis e de passeatas mil – como hoje em dia, aqui, lá, e em qualquer lugar. Sensível às convulsões sociais ao seu redor, Stan mais uma vez presenteou os true believers com um discurso político leve, longe do panfletário, porém bem marcante. E o melhor, sem perder de vista, nem por um quadrinho sequer, os dramas pessoais do protagonista, em meio a muita pancadaria. Durante uma manifestação dos alunos, o Rei do Crime e seus asseclas invadem o campus da Universidade Empire State, para roubar uma antiga placa de hieróglifos que detém um segredo valioso. Com tantos inocentes em perigo, o Aranha parte pro ataque, mas o corpulento mafioso consegue escapar com a relíquia. Esse acontecimento desencadearia uma sequência de histórias mirabolantes até a edição 75, tendo a placa de hieróglifos como fio de ligação. É aqui que Randy, o filho ativista de Joe Robertson, faz sua estreia, e que Tia May dá sua benção ao romance – cada vez mais sério – de seu sobrinho com Gwen. Mas e o semblante abatido da senhora Parker, após a visita dos pombinhos? Seria apenas preocupação, uma ponta de ciúme, ou uma sensação premonitória de algo ruim para o futuro? Autores: Stan Lee (roteiro) – John Romita e Jim Mooney (arte).

 

13BestSpider13ª – NINGUÉM PODE DETER O FANÁTICO!
[Amazing Spider-Man 229 e 230]
Black Tom Cassidy manda o poderoso Fanático sequestrar a mutante Madame Teia, com a intenção de usar seus poderes de clarividência contra os X-Men. Antecipando a movimentação dos vilões, mas incapaz de se defender, Teia pede socorro ao Homem-Aranha – que prontamente vai a seu auxílio. Em poucos minutos, o herói se depara com o gigante blindado, e logo descobre que não conseguirá detê-lo facilmente. Além de muito mais forte que o aracnídeo, o Fanático é virtualmente invulnerável por causa de um campo de força que o protege. A mulher entra em colapso quando arrancada de sua cadeira especial, que a mantém viva, e o Fanático perde o interesse por ela. Enquanto uma ambulância leva Madame Teia ao hospital, o Aranha, enfurecido com a falta de humanidade do vilão, parte decidido para o segundo round. E aí, enquanto leitor, a gente se lembra daquela máxima: “Ninguém pode deter o Fanático”. Ah, meu chapa, não aposte nisso as suas fichas… Autores: Roger Stern (roteiro) – John Romita JR e Jim Mooney (arte).

 

12BestSpider12ª HOMEM-ARANHA NUNCA MAIS!
[Amazing Spider-Man 50]
Uma das histórias do Aranha mais reprisadas no Brasil, e uma das mais legais, também. Cansado de ser malhado nos editoriais tendenciosos de Jameson, e quase paranoico em razão da desconfiança da população, Peter Parker abandona sua vida de combatente do crime. Numa noite fria e chuvosa, joga seu traje de herói numa lata de lixo, em um beco qualquer, decidido que está em dar um novo rumo à sua vida. Por um tempo, ele consegue se concentrar apenas nos estudos, e naquela garota de sua classe, a linda e loira Gwen Stacy; evitando ler notícias sobre a onda de crime que se instaurou na cidade após o sumiço do Aranha. Ignora até mesmo os boatos sobre um novo chefão do submundo chamado Rei do Crime. Mas ao ouvir o grito de socorro de um vigia, vindo do alto de um prédio, seus instintos heroicos o fazem agir sem pensar duas vezes. Depois que espanta os larápios, Peter percebe que o vigia é muito parecido com seu falecido Tio Ben. Nessa hora, o passado volta à sua mente como se fosse um filme, e o jovem constata emocionado, que não poderá jamais abandonar sua missão. Detalhe pertinente: a cena do traje na lata de lixo é reproduzida no filme Homem-Aranha 2 (2004). Autores: Stan Lee (roteiro) – John Romita e Mike Esposito (arte).

 

11BestSpider11ª ESPECTROS DO PASSADO
[Amazing Spider-Man 238]
Provavelmente uma das HQs do Aranha mais bem desenhadas de todos os tempos. A combinação dos estilos de Romita SR e Romita JR é, simplesmente, de encher os olhos. Mas essa trama é também muito mais do que uma bela arte. É aqui que Roger Stern introduz o grande enigma que permeou todas as revistas do aracnídeo pela década de 1980: quem, afinal, era o Duende Macabro? Alguém descobriu um dos laboratórios secretos de Norman Osborn, o Duende Verde original e, de posse de seus equipamentos, decide trilhar o caminho do crime. No decorrer das histórias surgiram muitos suspeitos, e Stern plantou várias pistas, dando a entender que o homem por trás da máscara fosse alguém de muitas posses e com conhecimento de química. Todavia, quando Tom DeFalco assumiu ASM, encaminhou as coisas para que o vilão fosse o repórter Ned Leeds – alguém que não era nem rico tampouco cientista. Enfim, em 1997, com a minissérie Spider-Man: Hobgoblin Lives (publicada aqui em Grandes Heróis Marvel 62, pela Abril, no ano seguinte), Stern revela de uma vez por todas que o Duende Macabro era o empresário corporativo Roderick Kingsley – um personagem que o roteirista introduziu em Spectascular Spider-Man 43 (1980). Durante muito tempo, Kingsley manipulou outras pessoas para agirem como Duende Macabro, como seu irmão gêmeo Daniel, além de Flash Thompson e o próprio Ned. A ASM 238 também é importante por trazer de volta Mary Jane ao título, após quatro anos de ausência. Autores: Roger Stern (roteiro) – John Romita JR e John Romita (arte).

 

Nota: As cinco HQs citadas nesta postagem são comentadas com maior profundidade e trabalho de pesquisa – e entremeadas por depoimentos dos próprios autores – em meu novo livro A ERA MODERNA DOS SUPER-HERÓIS, a ser lançado em breve pela HQM Editora.


Roberto Guedes
Guedes Manifesto

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