03-01-2018

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1987-2017: 30 anos do meu batismo de fogo no mundo dos quadrinhos!

colunista_PeterMihajlovic

2017 terminou há menos de 48 horas e para mim existe um significado neste e em todos os anos que terminam em “sete”: foi a partir de um deles, 1987, que eu virei um colecionador “profissional” de quadrinhos e aqui explico tudo!

 

1. Antecedentes

Nas férias escolares de 1986, tanto nas de janeiro quanto nas de julho, viajei com meu saudoso (e hoje, ausente) amigo Alexandre Di Giacomo, peça-chave no meu colecionismo e filho do dono da loja que iniciou a Devir (“spoilers” mais à frente). Em janeiro de 1986 fomos para Penedo, sul do Rio de Janeiro, linda cidade colonizada por finlandeses e com cachoeiras. Ali, chovia muito na maioria dos dias que ficamos ali, mas meu amigo sabiamente trouxe uma pilha dos lendários Heróis da TV e Superaventuras Marvel, muitos de anos bem anteriores, como aqueles Superaventuras que vinham com histórias de Conan e realmente foi muito bom ler coisas como o Capitão Marvel de Jim Starlin e o Surfista de Stan Lee e John Buscema.

Em julho daquele ano fomos para minha antiga casa em Socorro (SP), e, mesmo com o sol escaldante do interior paulista, zeramos os gibis na revistaria da rua principal da cidade, incluindo um SuperPowers com a Legião dos Super Heróis e o recém-lançado Novos Titãs de Wolfman e Peréz. E ali ficamos sabendo de uma tal de Guerras Secretas que iria agitar os heróis Marvel no segundo semestre daquele ano!

Ainda em 1986, em uma das saudosas seções de cartas dos gibis da Abril, fiquei sabendo das lojas Muito Prazer na avenida São João e do Espaço do Emílio na rua 7 de abril.

Fui conferir as duas: a Muito Prazer tinha um rico acervo, muita coisa europeia como a revista portuguesa O Mosquito. Já no Espaço do Emílio, lembro de ter visto um pôster promocional americano da saga Legends de Ostrander e Byrne; o gibi americano não tinha, mas, para compensar, o dono Emílio era muito bom de papo e entendia muito de cultura pop.

E em novembro daquele ano estive numa viagem bate-e-volta para a sempre wonderful Nova York. Conheci a antiga loja Forbidden Planet quando ficava numa esquina da Broadway – aliás descobri ali que gibis não eram mais vendidos em bancas. Também fui em uma loja na Amsterdam Avenue e lembro até hoje os itens comprados: #01 de X-Men versus Vingadores pelo novato Marc Silvestri; Alpha Flight #42; Shazam #01 pelo Roy Thomas; New Mutants #50 pelo Rick Leonardi; um Daredevil desenhado, acreditem, pelo novato McFarlane e Fantastic Four #300 com o Mestre dos Bonecos na capa!

Bom lembrar que foi o ano do Plano Cruzado, que, apesar de todos os pesares, deu uma melhorada na minha mesada e me deu poder de compra.

E no Natal daquele ano, ganhei de minha mãe o pacote de assinaturas da Abril com Aranha, HTV, Superaventuras e Espada Selvagem de Conan!

 

2. Chegou 1987 em um cavalo mágico de Jayme Cortez!

Começou o novo ano e as coisas ficaram emocionantes. Logo no início daquele ano, tive uma cartinha minha publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo publicada na breve seção de cartas daquele caderno cultural. Falava sobre os recém-lançados álbuns da editora novata VHD Diffusion, que futuramente publicaria a revista cult Animal, o western Durango de Ives Swolffs e Thorghal de Van Hamme e Rosinski, ambos até hoje publicados na Europa.

Daí veio o início de meu ano letivo e minha mãe leu no Caderno 2, que um professor da ECA-USP chamado Álvaro de Moya iria lançar perto de casa, no Museu da Imagem e do Som (MIS), seu livro sobre a história dos quadrinhos, inclusive uma prévia dele já havia saído junto à página de tiras daquele caderno ainda em 1986.

Como naquele tempo a sétima série do antigo primeiro grau (atual fundamental) era no período da tarde, minha mãe me deu passe livre para ir lá, inclusive se prontificou a me buscar. Ao acabar a aula no colégio naquele dia, desci com o antigo CMTC elétrico na rua Augusta, que depois vira rua Colômbia, que depois vira Avenida Europa, tudo no mesmo retão e desço no ponto mais próximo do MIS.

Ao adentrar ali, percebi de imediato que eu era o “caçulinha” do evento, com jovens e senhores adulto em rodinhas de conversas junto a uma exposição de originais do acervo de Moya, onde vi pela primeira vez uma página gigante original do Príncipe Valente de Hal Foster e outra da lenda Alex Raymond no Flash Gordon! E ainda tinha um desenho personalizado do Spirit de Eisner para Moya. Foi a primeira exposição de quadrinhos da minha vida e o impacto dela continua na minha memória. Infelizmente os moleques de 1987 não carregavam smartphones em seus bolsos, e, ninguém que eu conheça fotografou aquele mágico momento, assim, só posso descrever o que vi.

No mesmo dia, teríamos um bate-papo informal com os presentes antes da sessão de autógrafos do livro de Moya. Lembro que ousei levantar a mão e perguntei a ele o que achara da recém-lançada revista Circo e ele disse ter gostado do material, mas achava o papel-jornal inadequado. Encerrado o papo, peguei meu autógrafo e comecei a zanzar pelo salão principal do museu. Vi muitos jovens artistas com seus portfólios; lembro de um até que emulava direitinho o Conan de Buscema, até esbarrar com um rapaz de olhos claros, um pouco mais velho que eu com um nome inusitado: KLEBS!!!

Ele tinha acabado de terminar a faculdade de Belas Artes, já estava na batalha pelo seu espaço como ilustrador, inclusive já tinha vendido uma HQ erótica para a lendária Press Editorial e morava numa pensão no centro, pois sua então mulher e filhinha ainda residiam em Rio Claro, interior de São Paulo. Ele assinava gibis americanos direto pela Marvel e DC e trocamos alguns gibis, entre os quais um número da mini-série Vingadores versus X-Men por Roger Stern e Marc Silvestri.

Mas naquele encontro do MIS me deu uma dica preciosa: recomendou, como é possível ver na foto abaixo, um bom livro de desenho e anatomia, e outro bom livro de roteiro, este do brasileiro Doc Comparato.

Hoje, Klebs é “apenas” dono do Instituto HQ, uma das mais renomadas escolas de HQs do Brasil!

Mas o big moment ainda estava por vir: comecei a circular entre os “adultos” e lá vi um simpático senhor português que todo mundo badalava. Fui ao encontro dele e ele, sem que eu pedisse nada, pegou meu caderninho de autógrafos e fez um lindo cavalo, como podes ver na foto, de um jeito inigualável! Era o gigante Jayme Cortez, premiado em Lucca em 1986! Pouco tempo depois, em meados de 1987, ele faleceu, não antes sem relançar seu Zodiako pela Press Editorial, um marco do quadrinho mundial que todos deveriam conhecer.

Foi o primeiro profissional de quadrinhos a me dar um autógrafo na vida e isso se torna épico quando o leitor descobrir nas linhas abaixo quem foi o SEGUNDO a me dar um autógrafo na vida! Tchan-Tchan-Tchan-Tchaaaaan!

 

3. Frank Miller tocou para Moebius e o gol foi inesquecível!

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Qualquer moleque que vivia em 1987 e curtia gibis, sabe que aquele foi o ano do Cavaleiro das Trevas. Em março de 1987 eu estudava à tarde como dito e as aulas de Educação Física de meu colégio, os jesuítas do Colégio São Luís ali na ponta da avenida Paulista, no começo de cada ano eram ministradas na piscina, aproveitando o fim de verão.

Por acaso o dia do lançamento de Cavaleiro das Trevas nas bancas brasileiras estava nublado em Sampa, mesmo assim nadei na piscina na última aula do dia, troquei de roupa e fui zanzar nas bancas da Paulista à procura daquela mini-série do “cara bom que fazia o Demolidor em Superaventuras Marvel”!

Comprei a dita cuja, cheguei em casa, aproveitando o silêncio do lar e devorei aquele gibi.

A cena icônica de Batman tendo seu símbolo violado por um tiro e ele caindo com um helicóptero no alto foi impactante demais para mim que gostava de um Homem-Aranha basicão!

Cara, o que era aquela história! Aquelas telinhas de TV …… cadê o Coringa?……Harvey Dent “curado”?…Robin…morto???

Parecia que estava numa vibe diferente! E a vibe se expandiu pouco mais tarde, quando teve uma promoção de quadrinhos espanhóis na sempre amiga dos quadrinhos Livraria Cultura. Comprei uma Metal Hurlant espanhola e lá havia uma fração da saga do Incal por Moebius, que já havia visto como referência no livro do Moya, mas agora começara a entender o porquê do justo culto sobre ele. Puta que pariu! Vai desenhar bem assim no Jardim do Éden! É, o Homem-Aranha basicão não competia com esta nova turma que estava surgindo em minha vida!

 

4. A banca mágica da Alameda Lorena começava a germinar.

Naquele ano, a Cedibra teve a iniciativa de trazer ao Brasil os gibis da lendária editora First Comics de Chicago. Só gente da pesada: Howard Chaykin, Tim Truman, Ostrander, Mike Baron, Mike Grell!

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Deu até matéria de capa do Caderno 2, e, mesmo com algum atraso, saiu lá por setembro daquele ano.

Porém, o velho problema da distribuição continuava, e, mesmo nas poderosas bancas de jornais da avenida Paulista, nem sempre se encontrava as mesmas. Num fim de tarde, voltando suado do colégio, passo por uma banca quase na esquina da alameda Lorena com rua Bela Cintra no bairro dos Jardins, e, mesmo que a banca original não medisse mais que 5 metros quadrados, tinha ali os gibis da Cedibra em boa quantidade, mais alguma coisa da Press editorial, e, ainda, eles conseguiam para você coisa da LP&M, mas não podiam expor, pois era proibido naquela época venda daquele material em bancas, somente em livrarias.

Comecei a ter um bonito relacionamento com os donos Carlos Manoel (depois “Mann”; hoje Carlos Rodrigues da editora Criativo, irmão do Jorge da hoje Comix), e, com o Joel. Não vou contar toda a história deles aqui, daria para fazer toda uma coluna só para isto, mas só digo que dali saiu a hoje loja Comix, maior do Brasil no ramo, e, iniciativas incríveis como a versão brasileira da Heavy Metal em 1996.

Testemunhei o nascimento de uma das maiores empreitadas no ramo dos quadrinhos desde o primeiro broto!

Lembro até que o dono anterior da banca tinha ponto na esquina no quarteirão de cima, perto de um boteco, e cheguei a comprar ali umas revistas em fascículos de lutas marciais. Vê-se que 1987 foi importante para outras tantas pessoas, e, todo mundo estava de certa forma interconectado naqueles dias sem se dar conta.

 

5. A histórica semana de quadrinhos no bairro do Bom Retiro.

Para quem não sabe, o bairro do Bom Retiro tem uma linda ligação com os quadrinhos, pois foi ali que em 1951 Álvaro de Moya e seus companheiros organizaram a primeira exposição internacional de quadrinhos no mundo! Há inclusive livros de Moya sobre o assunto que eu recomendo.

Pois bem, em final de setembro e início de outubro de 1987, na rua Três Rios, na hoje Oficinas Culturais Oswald de Andrade, naquele tempo apenas conhecida como Oficinas Três Rios, ocorreu uma das mais legais semanas de quadrinhos do gênero: imagine juntar no mesmo evento Angeli, Watson Portela, Prof. Sonia Luyten, Prof. Alvaro de Moya, jornalista Jotapê Medeiros (lendário com suas matérias de quadrinhos no Caderno 2), o historiador da USP Nicolau Sevcenko, enfim, uma galera diversificada, em uma época em que os eventos de quadrinhos eram esporádicos?

Sim, ela existiu – vejam a foto do cartaz aí – e para mim foi uma divertida aventura!

Primeiro que, como era à noite, minha mãe me ensinou no primeiro dia como sair do colégio e ir até o metrô Tiradentes, o mais perto do local, e, depois voltar para casa, indo até o Paraíso e de lá pegando um busão que seguia Paulista-Rebouças, lembrando que naquele tempo não existia ainda a linha verde do metrô paulistano.

Primeiro dia, era o Moya. Ali também tinha alguns lojistas como o citado Emílio e A Casa do Colecionador, que ficava num prédio da Avenida São João, ainda sem o calçadão de hoje, grudado ao prédio dos Correios, cujo dono era um rapagão de nome Donizetti. Consegui ali um Ronin #01 americano em estado regular, meu primeiro Ken Parker com o episódio Lily e o Caçador (sobre minha relação com Ken Parker, farei uma coluna específica para não perdermos o foco), e, big surprise!, X-Men #109 por Claremont e Byrne, a segunda dele! Começamos bem a semana, não?!

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No segundo dia, ao descer a Augusta vindo do colégio, pegaria o metrô na estação República e encarei aquela fila da hora do rush para comprar um simples bilhete. Quando já estava na boca de chegar minha vez, um cara me deu uma grana, equivalente hoje a uns 15 reais e disse: “Compre meu bilhete também e fique com o troco, amigo!”. Comprei e

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guardei o troco. Ao sair do metrô Tiradentes, após baldeação na Sé, passei na primeira banca que vi e comprei o recém-saído Capitão América #100 e Heróis da TV #101.

Que maravilha! Em CA #100 vi pela primeira vez na vida, acreditem fãs mais novos, uma foto de Stan Lee, e, em HTV #101, a impactante estréia no THOR da lenda Walt Simonson (tecnicamente ele já havia feito Thor, inclusive publicado no Brasil, mas sem AQUELE estilo único dele!). Ganhara meu dia! Ou não?

Não! Era o dia da palestra do Angeli e Glauco, numa rara aparição pública e foi uma noite inesquecível: auditório lotado, número razoável de mulheres – Thanks, Angeli! – para um tempo em que elas eram raras neste tipo de evento, daí começa a palestra, muita risada na galera, até que pelas tantas o Angeli diz algo como: “Bom, o Glauco está bem engraçadinho hoje, assim, vou dar uma mijada lá fora e fumar um cigarro. Volto já!”. E saiu mesmo! Mas voltou cinco minutos depois, tempo suficiente para uma mijada ou um cigarro, mas jamais para a soma dos dois!

E lá começou o Glauco, que recém lançara a revista do Geraldão pela Circo, naquele momento a relatar a sua vida pessoal e profissional.

Não tenho espaço para contar tudo, mas era algo do tipo: “Bom, gente, eu vim para São Paulo, fui morar sozinho, daí como todo homem solteiro a gente fica em casa, bate uma punheta ali, coça o saco acolá e…”.

Nunca ri tanto na minha vida. Os caras que faziam as revistas que eu amava eram mais engraçados ao vivo! Só não peguei autógrafo deles, pois foi o dia mais lotado, e, no fim da palestra um enxame de mulheres voou no Angeli e até o Glauco ficou com as abelhas que sobraram do ataque!

Os dias posteriores foram bons, inclusive peguei autógrafo de um cara que aprendi a conhecer pouco tempo antes: Watson Portela. Como muita gente, conheci ele por causa daquelas lindas capas que ele fez nos gibis da Marvel como uma lendária capa do HTV com o Thor.

E teve o álbum Paralelas da Press Editorial, item de colecionador! Ele assinou na capa de caderno escolar mesmo, na raça!

Guardo com carinho até hoje, seja pelo artista, seja pelo respeito que a gente tem pelo artista nacional e suas dificuldades de se afirmar num país tão instável como o Brasil no campo editorial.

Poderia contar mais e mais histórias, mas aqui está bom. Ir em um evento desse lhe abre a cabeça e percebi ali que quadrinho não é só para ler, mas pode ser objeto de discussão e de estudo acadêmico!

 

6. A loja do Alex, quando a Devir ainda era “o cara que traz as gringas pra gente!”

Um belo dia de 1987, meu pai voltou de uma viagem a NY com uns gibis, entre eles o Conan The Barbarian #200. Na mesma época, fui na festinha de aniversário do meu afilhado de batismo, Pedro Leitão Magyar ali no bairro de Mirandópolis, na casa de sua avó materna dona Lurdes Leitão. Por coincidência, ali ficava a 100 metros da casa de meu amigo Alexandre citado no início da matéria. Como com 13 anos eu já não tinha saco para festinha de criança, exceto pelas coxinhas e brigadeiros, dei uma passada na casa do Alê, que, por coincidência estava no portão conversando com um amigo dele da rua.

Eu, nem lembro o porquê, estava com a sacola com os gibis americanos que meu pai me trouxe, e, naquela coisa adolescente de querer se mostrar, exibi-o ao Alê: “Porra, olha o que meu pai trouxe de Nova York!”. Daí ele falou: “ Já vi este. Tem na loja do meu pai!”. Daí respondi: “Impossível! Meu pai chegou de lá não tem nem um mês!”.

Por que fui duvidar? Ele me pegou pelo braço, me levou até o metrô Praça da Árvore, fomos até a Ana Rosa e chegamos na loja do Alex pai naquela galeria de lojas na esquina da rua Domingos de Moraes com Joaquim Távora: uma loja pequena, mas com coisas INCRÍVEIS!

Imagine você estar acostumado a ver no máximo um Avengers numa livraria Siciliano da vida e de repente ver um gibi original do Questão? Uma graphic novel? Um encadernado de Watchmen? Pois foi o que vi ali, naquele sábado cheio de moleques e alguns adultos avançando sobre um caixa de papelão que o hoje lendário Mauro Martinez dos Prazeres trazia para a galera.

Ainda não chamávamos de Devir e sim de “o cara que traz as revistas!”. Era muito divertido, aquele mundo menos globalizado, onde ler um gibi 30 dias depois de sair nos EUA era algo extraordinário!

 

7. Eisner, chegando aos 45 do segundo para mudar tudo!

Mas 1987 tinha logicamente que ter a sua chave-de-ouro para mim e ela veio: em novembro de 1987, o mestre Will Eisner veio a São Paulo autografar sua recém-lançada revista em formato magazine Spirit pela NG Editores (ligados a Press Editorial, salvo engano).

Naquele mesmo Museu da Imagem e do Som do encontro com Moya e Cortez; o Orson Welles do Brooklyn, rei de Dropsie Avenue, tutor de Kirby em seus primórdios, Visionário da Nona Arte e amigo do Brasil me daria um autógrafo.

Noite quente, looooonga fila, vários amigos recém-feitos naquele ano, a começar pelo lendário KLEBS, que também trombara comigo na loja Alex me ensinando o que seria aquele tal de ‘X-Caliber” de Claremont e Davis, depois Excalibur!

Primeiro, uma tumultuada palestra, até meio improdutiva, mas que lembro dele ter dito que ele estava de um lado da rua e o resto da produção americana, especialmente Marvel e DC, do outro lado.

Depois de umas 2 horas de espera na fila, ele me deu sua mágica assinatura, e ainda ouvi de sua boca os dizeres: “Thanks, Peter!”.

Meu segundo autógrafo de um profissional de quadrinhos, o primeiro de um estrangeiro, se levarmos em conta que Jayme Cortez era mais brasileiro que português!

Bela maneira de encerrar o ciclo quadrinístico de 1987, não?!

Poderia contar muito mais coisa sobre 1987. Sim, tem mais coisa, como a sala de uma decadente pensão nos Campos Elíseos para onde foi parar o Emílio e sua loja e encontrei uma republicação em papel Baxter do Lanterna-Arqueiro Verde de Neal Adams e Dennis O´Neil, ou, a minha implicância com “estranhos gibis” como Epopéia-Tri da Ebal ou Calafrio de Rodolfo Zalla, mas deixo estas para minha coluna em 2027….!

 

#coluna dedicada à memória de Álvaro de Moya, Jayme Cortez e meu falecido amigo Alexandre Di Giacomo. Que Deus os tenha em bom lugar!

 

colunista_PeterMihajlovic
Peter Mihajlovic
Perde mulheres, bens, até amigos, mas sempre fiel à sua coleção de gibis(…)!

18 comentários em “1987-2017: 30 anos do meu batismo de fogo no mundo dos quadrinhos!

  1. Obrigado…
    Por fazer algo já estava em tempo…um memorial de uma época que, para quem viu, curtiu e vivenciou
    tornou-se indelével na alma e na memória afetiva e que , para muitos, ilustrou a passagem da adolescência pra a
    juventude ou dessa pra a fase adulta.
    Obrigado por citar-me, alguém q sucumbiu aos mirabolantes planos econômicos, mas que lutou por anos para que houvesse uma porta aberta pra os amantes da HQ!
    Obrigado por ter sido amigo de alguém, q ao ir-se levou muito da minha alegria de viver. meu filho Alexandre
    Deus o abençoe por isso, Peter !

  2. Fantástica volta ao passado contada com riqueza de detalhes. Não me surpreendo mais com a memória fotográfica do meu amigo.
    Compartilhe mais!
    Abraço.

  3. Quero ser mico de circo e macacos me mordam se não é uma experiência muito rica. Durante a minha infância eu não parava de ler gibis, os meu quarto tinha pilhas e pilhas e era um zigue-zague andar lá dentro. Minha mãe, depois de uma reunião familiar vendou tudo por kilo para o “garrafeiro-metaleiro”, lembro dele pesando os pacotes. Depois aconteceu tudo de novo, eu não parava de ler. A Laura Sandroni que foi a primeira a escrever sobre o Gênio do Crime disse, para minha surpresa, que o anão de óculos ( gênio do crime ) foi escrito por um cara que leu muito história em quadrinho, o vilão tipo dos quadinhos. Pensei e tive que concordar, ele é uma espécie de doutor Silvana, a minhoca de olha grande que enfrentava o Capitão Marvel. A história de mais fantástica imaginação que encontrei foi uma em que o bandido tirou patente do alfabeto, com o que “legalmente” ninguém podia falar sem licença dele. e o Super Homem, ao mesmo tempo em que imaginava um jeito de enganá-lo era obrigado a protegê-lo e prender quem falasse porque o Super Homem estava ali para defender a lei. Isso é imaginação! Sem falar da coleção de onomatopéias que ficaram para sempre gravadas na minha cabeça e que vivo usando: SMACK, SPLASH, URGHHHHH, e as bolinhas quando alguém pensa e tantas outras.

  4. Maravilhoso Peter! Fiquei com vontade de ouvir a sequência da narrativa pelos anos eventos e Bienais de HQ a fora! Parabéns pelo texto e obrigada. Marisa Furtado de Oliveira.

    1. Obrigado pelo elogio, Marisa ! Fico feliz que alguém tão próximo do Eisner como você tenha gostado! Abraços

  5. Relato fantástico, Peter! Tive o prazer de conhecer a maioria das pessoas por você citadas, eu era frequentador assíduo da Muito Prazer (Valter e Nivaldo). O mundo fantástico dos quadrinhos possibilitam mesmo este tipo de epopeia e histórias deliciosas. Parabéns! Só ficou o gostinho de “quero ler a continuação”.

    1. Obrigado, Eduardo ! A minha experiência foi igual a muitos outros apaixonados como você. Abraços

  6. Parabéns Peter, pela riqueza de telhas, você é uma biblioteca viva dos HQs. Sua dedicação e profissinalizamo merece todo reconhecimento. Muito boa a sua publicação,novamente parabéns.

  7. Relato muito legal! Trilhei, por caminhos diferentes, uma jornada parecida mas com os mesmos gibis e com as mesmas emoções das descobertas e surpresas que só os gibis proporcionam. Meus mais de 5000 gibis que o digam 🙂

  8. Parabéns pelo belo texto Peter…. sensacional curtir isso tudo… parece como se fosse um filme… eu comecei a ler heróis na mesma época, 86, 87… mas em Curitiba… onde as coisas eram mais “mansas”… Dá saudade daqueles tempos mais simples e menos badalados… De quando conheci a Itiban aqui com dezenas de títulos americanos… daqueles informativos da Devir com lançamentos que deixavam a gente com água na boca…. Enfim… uma verdadeira viagem no tempo… obrigado por compartilhar isso conosco…

    1. Fico feliz de saber que um amigo curitibano, sede da primeira Gibiteca brasileira, tenha gostado! Forte abraço

  9. Meu amigo, não espere até 2027 não, escreva logo a continuação deste texto.
    Esses primeiros eventos que você menciona eu não tive conhecimento, pois morava no extremo da Zona Leste e tinha pouco acesso à informação da agenda cultural. Depois passei a participar de alguns eventos e talvez tenhamos nos cruzado neles, mas sem nos conhecermos pessoalmente (isso só veio a acontecer há alguns anos num Feira Guia dos Quadrinhos). Parabéns pelo texto, traz lembranças muito boas!

    1. Dario Chaves, fico feliz que tenha gostado e já em 2018 escreverei mais, como, por exemplo, o episódio do Yakult grátis que ganhei de cortesia do Carlos Mann no mesmo dia em que comprei o álbum Homem é Bom? de Moebius na lendária banca da alameda Lorena. Aguarde. Abraço grande.

  10. Simplesmente sensacional, me lembrou de tanta coisa, comecei a ler um pouco mais tarde, lembro de estar na lanchonete da minha mãe no bairro de Pinheiros é um dos entregadores de lanches estava lendo uma revista do Homem-Aranha (edição 62 da Abril que tinha a capa de Todd McFarlane, David Michelinie e Jonh Byrne, comecei bem não?) .
    Lembro de tirar um sarro dele, lendo homem aranha bebê…..A resposta dele foi apenas , lê primeiro depois a gente conversa me estendo a mão com a revista, e neste dia eu seria marcado para sempre , fiquei sedento, o que era aquilo o que eu tinha perdido??? Então comecei minha caça ao tesouro, sebos , bancas e em 3 anos eis que eu já tinha mais de 4 mil HQs , mas aí houve uma ruptura e troquei tudo pelo sexo drogas e rock and Roll , aí minha história se parece com a de muitos, a coleção ficou na casa da mãe , me casei vendi todos e fui tocar a vida, mas eu já havia sido “marcado” e aqui estou eu hoje , proprietário de uma loja especializada em hqs, valeu Peter , por me relembrar de tantas coisas, grande abraço

    1. Márcio Pescuma, fui morar em Pinheiros em 1995 e descobri sebos incriveis ali como o antigo Red Star que ficava na Fradique Coutinho, do outro lado da rua de onde ficava a banca Mônica do lendário jornaleiro Dionísio Di Donato. Fico feliz que um pinheirense tenha gostado ! E lhe dou uma dica: as duas bibliotecas públicas de Pinheiros, Alceu Amoroso de Lima e Álvaro Guerra, têm generosas prateleiras com bons quadrinhos como Tintim e Lobo Solitário. Confira. Abraçao

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